quarta-feira, 4 de abril de 2012

O que é nacional é... é o quê?...



Este vídeo não vai tão fundo quanto seria desejável, mas é uma boa introdução ao que vou dizer de seguida, nomeadamente que o discurso que contrapõe o nacional ao estrangeiro, aliás, todo o discurso que fala em nações num contexto relacionado com a economia, é um discurso que actualmente já não faz qualquer sentido.

Imaginemos uma empresa que tem a sua sede no país X, cujo principal gestor é do país Y, o principal accionista é do país Z, a maioria dos accionistas é do país T, tem fábricas no país M, delegações de vendas nos países N, O e P, e trabalhadores dos cinco continentes... Esta empresa é de que país?...

Antigamente, a mercearia da esquina era do Manel, que tinha nascido numa casa a 200 metros dali, onde ele trabalhava mais a mulher e os filhos e vendia laranjas do tio e do sobrinho. Mas hoje já não é bem assim...

Mas há uma dimensão que escapa a esta argumentação, e que acaba por ser muito mais importante e muito mais determinante desta inutilidade de dizermos coisas como "os chineses estão a tomar conta disto" ou "os alemães são mais produtivos" ou coisas do género.

É que, no contexto da economia, esses discursos pretendem colocar a tónica nas diferenças entre povos e nas atitudes que todos podemos ter para defender o nosso clã, o clã dos tugas, contra os demais. E isso é profundamente errado! É tão errado, que eu não vou perder tempo a explorar o assunto. Em vez disso vou simplesmente dizer o seguinte: de que me adianta a mim comprar uma coisa ao Belmiro ou a um tipo qualquer de outro país qualquer? É que eu ainda não percebi muito bem a diferença entre ser explorado por um português que nos rouba de todas as formas que puder, ou ser explorado por um estrangeiro que nos rouba de todas as formas que puder!

A luta não é entre países e muito menos entre povos. A luta é entre quem não tem o poder e quem o tem e não só não o partilha, como o utiliza para preservar e aumentar ainda mais esse poder (e já nem falo de utilizar o poder que se tem para dar mais poder aos outros que não o têm).

Portanto, de preferência, não dê importância a isso de ser nacional ou não. Em vez disso, tente perceber se aquilo que está a pagar por um produto ou serviço vai ou não ajudar a desenvolver um sistema produtivo mais justo para as pessoas e para o ambiente. Isso raramente tem a ver com questões nacionalistas.

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