segunda-feira, 9 de março de 2015

Tanto mar...

Uma música linda, do Chico Buarque, composta em 1975 para celebrar a revolução (diz que foi!) do 25 de Abril de 1974.



A letra da música foi censurada no Brasil (até 1978), que vivia à época uma ditadura militar. O próprio Chico a falar do assunto, em 1978:



Conforme ele diz, em 1978 "a revolução portuguesa já não é..." Deixou de ser uma revolução, para ser um conjunto de reformazinhas e a preparação de um longo caminho para voltar a pôr tudo como dantes (que, aliás, foi atingido com muito sucesso, conforme podemos verificar hoje em dia, com tudo o que era do Estado privatizado, a lei do mais forte, perdão, do mercado em força, hospitais privados que nem cogumelos, e por aí). Daí a mudança, para a segunda versão deste último vídeo.

Manda novamente algum cheirinho de alecrim!...
:)

Em termos musicais, quero salientar aqui as palmas finais desta segunda versão da música. Se tentarem acompanhar, irão reparar que há algumas mudanças a meio que são difíceis de acompanhar para quem não é experiente em ritmos (como é o meu caso). O tempo é claramente ternário. A questão é que no início das palmas temos duas batidas nos dois primeiros tempos do compasso e depois uma pausa, mas depois passa a uma pausa seguida de duas batidas nos dois últimos tempos do compasso. Representando com O palmas e com _ uma pausa, o que acontece na música é isto:

OO_
OO_
OO_
OO_

OO_
OO_
OO_
O_O

_OO
_OO
_OO
_OO

_OO
_OO
_OO
_O_

OO_
OO_
OO_
OO_

OO_
OO_
OO_
O_O

_OO
_OO
_OO
_OO

_OO
_OO
_OO
_O_

OO_
OO_
...

Tentem ouvir a música a olhar para as bolinhas e tracinhos e acompanhar com palmas nos momentos certos. Podem reparar que a mudança acontece a cada oitavo compasso. Se sentirem isto dentro de vós, ou se souberem contar até 8, e se praticarem um bocadito, poderão acompanhar as palmas sem a ajuda das bolinhas. E é uma sensação porreira acertar com elas nos sítios certos, de cor! :)


De resto, em relação a esta questão de mar, mar, mar e mar... há mar e mar, e há também isto:



Mar

mar...
cheira a mar
mar...
quero o mar
e se as costas me doem
é porque daqui não vejo peixe no mar
daqui não vejo o mar
tanto mar
mar...

sinto o vento a vir
e no mar crescem ondas ...grandes ondas
sinto o vento a vir
o vento a vir do mar

no outro dia,
do mar já não vem nada
é que aqui não se passa nada

e “mar”
já não me diz nada.

---

:) muito bom!...

(mais de TV Rural aqui)

1 comentário:

  1. Hummm... (2 colcheias + pausa alterando a ordem...) arrisco um 6/8, bem dançado !

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