segunda-feira, 12 de julho de 2010

Discurso de aniversário...

No passado dia 4 de Julho houve festa. O pretexto era o meu aniversário que todos os anos cisma em repetir-se no dia 29 de Junho (mesmo quando calha num domingo!). Houve discurso. E se houvesse mais paciência, minha e da minha audiência, o discurso teria sido mais parecido com o que de seguida aqui vai. Foi uma versão reduzida. Mas o essencial ficou dito. E significava isto:

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Obrigado.

Obrigado porque estou feliz, porque estão hoje aqui comigo. Mas não só por isso.

Queria aproveitar a vossa presença para vos pregar um sermão sobre a história da minha felicidade. Ora bem... a minha felicidade foi-se construindo desde muito cedo. Devia ter uns três anitos quando tive os meus primeiros episódios de otite. Pelo menos é assim que me lembro deles. E bolas que dói!... Furei os tímpanos à custa das infecções, e assim começaram as minhas maleitas de otorrino que fizeram com que hoje não ouça lá muito bem. O interessante é que tenho dificuldade em ouvir os sons de menor intensidade, e assim às vezes não percebo o que as pessoas dizem, mas também que me custa suportar os sons de maior intensidade!

Mais ou menos na mesma altura tive um episódio em que ia morrendo afogado. Não sabia nadar, e numa brincadeira estúpida a atravessar uma ponte de tábuas de madeira molhadas escorreguei e caí ao rio Mondego em Penacova. Ainda hoje me recordo da sensação... Nem deu para ter medo... Apenas estava entretido a chapinhar e a ir acima e abaixo de água sem saber que a morte estava mesmo ali ao lado. Valeu-me o meu irmão e um grupo de jovens que lá nadava perto.

Aos sete anos, se bem me lembro, apanhei hepatite A. Passei um mês inteiro na cama. Lembro-me bem do cheiro ao desinfectante Detol que tudo tinha. O meu quarto transformado em enfermaria. Todos os pratos e talheres a cheirar a Detol, toda a comida sem gordura, caso contrário vomitá-la-ia imediatamente como aconteceu várias vezes, e a cheirar a Detol... Quando voltei à escola percebi que tinha perdido a numeração romana! Sem dúvida um dos maiores choques da minha vida!

Uma actividade recorrente lá na minha rua, onde passava a maior parte do tempo livre, era a gozação. Gozar os outros, picá-los, sujeitá-los, expô-los... tudo actividades que se praticavam em abundância entre todos e a qualquer instante. Eu era, de um grupo que ao todo deveria ter umas vinte pessoas, dos mais novos, senão mesmo o mais novo. Estão a imaginar o festim que isso deu, não? Lembro-me de ter ido comprar electricidade em pó, brincadeira que resultou extraordinariamente bem com a conivência do senhor Saraiva, o senhor da mercearia lá do sítio. Lembro-me de ter ido entregar a pedra de afiar agulhas. Enfim, de tantas outras coisas que podem imaginar e que eu não vou referir aqui para não me humilhar mais do que já me humilharam na altura.

Pois depois do episódio da hepatite, que como sabem ataca o fígado e tem como consequência perturbações graves no sistema digestivo, sendo uma delas as crises de enjoo, eu ganhei um leque de produtos alimentares especiais, cuja simples referência era capaz de me deixar profundamente enjoado. Um desses produtos era um gelado que então existia, o corneto de tangerina. Bastava pensar no dito e ficava enjoado. Era claramente um enjoadinho! Agora podem imaginar o que é que aconteceu lá na rua quando todos souberam desse pequeno pormenor?... Bem, o meu mal-estar era de tal ordem que uma vez passei-me dos carretos, apanhei todo o tipo de pedras que consegui do chão e metralhei o meu agressor com toda a raiva que tinha dentro! Esse agressor, que num instante passou a vítima, foi o Tiago, a quem desde já peço desculpa pelo meu mau feitiozinho, mas que terá de compreender que enjoar uma pessoa dias a fio também não é coisa muito certa de se fazer!... O que vale é que a minha pontaria era tão boa que não me lembro de lhe ter acertado uma única pedra! Ah, a minha memória também já não é o que era!...

Mas a tortura da gozação ao elemento mais novo lá da rua era muito mais do que isto. Muito mais mesmo. Graças ao senhor faziam mesmo gato sapato de mim e gozavam-me a cada esquina, a cada oportunidade. É verdade que eu usava roupas estranhas. A minha combinação preferida, hoje, era a dos calções com galochas com t-shirt e com um enorme cachecol de lã com que ia para a escola. A verdade é que o cachecol era óptimo para as brincadeiras. Mas estão a ver a gozação que aquilo deu... Depois era o meu cabelo cortado à tigela, de onde adquiri a alcunha de “tigelinha”, era o facto de tudo quanto dissesse respeito a raparigas me passar ao lado (era homossexual, pelos vistos), etc, etc. Muito bom na construção da minha felicidade.

Já na adolescência tive a oportunidade de passar por uma apendicite aguda, com direito a toque rectal e a corte dos pêlos púbicos, o que é muito bom porque, como alguns devem saber, quando eles voltam a crescer dão cá uma comichão!... E é um pouco inconveniente coçar os tomates em público, certo?

Depois fui atropelado. Tinha juntado dinheiro ao longo de muito tempo e estava disposto a adquirir uma bicicleta na loja que existia na Avenida da Boavista, quase a chegar à rotunda (sabiam que a rotunda da Boavista não se chama rotunda da Boavista mas sim Praça Mouzinho de Albuquerque? E já agora, a rotunda do Castelo do Queijo também não se chama rotunda do Castelo do Queijo mas sim Praça Gonçalves Zarco? E que o Castelo do Queijo não se chama Castelo do Queijo mas sim Forte São Francisco Xavier? E que a Boavista é uma zona de contornos muito pouco definidos e que nem sequer é freguesia?...). Fui de eléctrico, e ao sair atravessei-lhe pela frente em corrida, o que é uma atitude muito sensata, uma vez que não permite ver quem vem lá. E quem vinha lá era um carro lançado a 60 km/h que me deu um encontrão de quarto ou quinto grau! Hoje lembro-me da sensação: uma pancada forte, quente, tudo escuro e depois apaguei. Quando voltei a acordar estava estendido no meio do asfalto já com um grupo de pessoas à minha volta e outras tantas a chegar. Voltei a mim muito rapidamente e enquanto me punha de pé e as pessoas me diziam “ó meu filho vê lá se partiste alguma coisa”, “ai que tens de ir ao hospital”, “estás bem?” eu só dizia “a minha carteira? onde está a minha carteira?”. Deram-me a carteira e lá fui eu a cambalear em direcção à loja das bicicletas. Mas os sujeitos não me deixaram. Tive mesmo de ir ao hospital. Felizmente, e apesar de ter amassado o pára-choques e o capôt e partido o farolim do automóvel, não tinha nada de grave. Arranquei uns pedacitos de carne aqui e ali e fiquei com dores mais além, mas nada que não passasse em poucas semanas. O medo de sair à rua por causa dos automóveis, esse durou mais algumas semanas a passar.

Alguns anos mais tarde tive uma infecção na boca. Era de tal ordem que eu tinha dificuldade em engolir o que quer que fosse. A dieta passou a ser integralmente líquida e toda administrada por palhinha. Mas eventualmente a coisa evoluiu de tal forma que eu não conseguia mesmo engolir o que quer que fosse, nem com anestésico! Nem a própria saliva. E foi aí no auge da doença, que a minha namorada me resolveu fazer uma visita. Estava eu lá em cima no quarto quando ela bate aqui à porta com um bolo para o menino doente. Um bolo?... Mas!?!?... Era eu no quarto, com uma caixa de plástico no chão para onde escorria a saliva que eu não conseguia engolir e era a família toda lá em baixo, à mesa, a comer o bolo para o menino doente! :)

Depois de um ou dois dias sem comer nem beber praticamente nada a minha mãe levou-me ao hospital onde tive mais um episódio daqueles. Enfiaram-me um tubo pelo nariz, bem até ao fundo, que eu depois fui engolindo até ele ficar bem no meio do esófago. Depois trouxeram-me uma tigela de leite morno que me administraram pelo nariz! E que sensação tão estranha... O estômago a encher com o leite, e a boca sem sentir nada!...

Mais ou menos na mesma altura constatei que um dos meus testículos era bem maior do que o outro. O trauma das assimetrias! Comuniquei a descoberta à minha mãe, com a devida preocupação, porque com as jóias da coroa não se brinca! A minha mãe encaminhou-me para o especialista do assunto lá no hospital. E esse foi mais um dos momentos altos que muito contribuíram para a minha felicidade. O senhor doutor pediu-me para me despir e me sentar na maca de pernas abertas. Enquanto ele colocava as suas luvas de latex, a notícia que o filho da senhora doutora estava ali espalhou-se pelo hospital. Assim que o senhor doutor começou a apalpar-me os testículos começaram a chegar os primeiros curiosos. Pouco depois lá estava eu, pernas escarrapachadas, o senhor doutor a apalpar-me os tomates, e uma comitiva de homens e mulheres de todas as idades a assistir ao espectáculo do filho da senhora doutora!

Depois fui operado ao nariz. A anestesia, que incluiu quantidades nada negligenciáveis de cocaína, foi à risca para a complexidade da operação, e lembro-me da sensação de me endireitarem o septo do nariz. Endireitar significa antes de mais nada entortar. Mas não vou avançar com pormenores. Quando finalmente acordei da operação, completamente grogue, a primeira coisa que fiz foi vomitar uma grande quantidade de sangue. Mas o mais engraçado foi o período de convalescença. Com dois tubos espetados no nariz e a cara inchadíssima, não poderia ter ficado mais parecido com um porco, com uma tomada logo em cima da boca. E tinha que tomar antibióticos. Todos os dias, em braços alternados, uma injecção enorme de uma bomba antibiótica qualquer.

Enfim, muitos outros episódios ao longo da minha vida contribuíram para a minha felicidade.

Hoje tenho uma unha do pé negra, o que é uma verdadeira tragédia, tenho um ombro que está há mais de seis meses a recuperar de uma luxação, tenho má oclusão dos maxilares e consequente estalido de cada vez que abro e fecho a boca, tenho dentes tortos e com abfracção, tenho os primeiros sinais de vista cansada, e quem sabe de cérebro cansado?, tenho um intestino que se irrita muito facilmente e que produz biogás a um ritmo alucinante, tenho alergias brutais no nariz, tenho o sono incrivelmente ligeiro, tenho ligeiras dores em algumas articulações, tenho uma incrível falta de flexibilidade no corpo, tenho o meu reduzido espólio espalhado por quatro casas de norte ao sul do país, tenho um automóvel velhinho e avariado... Mas sobretudo, hoje não tenho televisor! E isso certamente contribui bastante para a minha felicidade!

A verdade é que estou feliz! Aliás, bem mais do que isso, a verdade é que sinto que sou feliz. E desculpem-me se a minha felicidade, em tempos de crise, vos soar a uma afronta.

Sou feliz porque apesar de tudo tenho saúde, tenho a cabeça e os sentidos bem despertos, tenho muitos sítios onde dormir, tenho roupa para vestir, tenho comida para comer. Tenho condições para viver. Em resumo, tenho vida. E tenho tudo o que se consegue fazer com isso.

Mas sou também feliz porque para além de ter vida, tenho tido vontade, energia, perseverança, espírito de sacrifício e tudo o mais que é necessário para ultrapassar os desafios que eu próprio me coloco e também as barreiras que me surgem sem eu querer ou esperar.

E sou ainda mais feliz porque tive a sorte, e quem sabe o saber jogar, de ter um pai assim, de quem herdei a paixão, os sentimentos à flor da pele, o calor da luta; uma mãe assim, de quem herdei a delicadeza e essa grande virtude que é não nos perdermos no vazio e na solidão; porque tive a sorte de ter um pai e uma mãe de quem herdei esta cabeça que não pára; porque tive a sorte de ter amigos como vós, de quem aprendi tanto, paciência para vos aturar :) e sobretudo tolerância.

Sou feliz por ter tido a sorte de ter amigos como vós com quem pude viver, trocar e receber tempo, energia, medos, frustrações, alegrias. Amigos que me ensinaram a amar e a ser quem sou.

Obrigado por isso.

Hoje sou feliz e sinto-me feliz porque me conheço melhor, porque me faço melhor, porque conheço melhor o mundo e porque o tento fazer melhor. Sou feliz porque gosto do cheiro do incenso e sei que o incenso não é um pauzinho que arde mas sim uma planta. Sou feliz porque sei que Portugal nunca produziu tanto na sua história como hoje produz...

E isto da economia introduz o último capítulo da história da minha felicidade.

Há pouco tempo publiquei no meu blogue uma mensagem acerca dos números do produto interno bruto (PIB) português. Os números são produzidos pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), um organismo sob a tutela da administração central, tanto quanto julgo saber. E se assim é, e se os números nem sequer são favoráveis ao discurso do governo, então eu tenho bons motivos para acreditar nesses números, ou no que eles parecem revelar. E o que eles revelam é precisamente aquilo que acabei de afirmar: que nunca na história Portugal produziu tanto como produz hoje. Está bem, talvez tenha sido capaz de produzir um pouco mais em 2008 do que em 2009. Mas em geral, nós produzimos hoje mais 30% do que produzíamos em 1995. E isto é, tanto quanto nos é possível dizer, um facto!

Mas então se assim é, afinal onde é que está a crise?

Bom, a verdade é que há muita gente com muito pouco dinheiro e com dificuldades sérias em conseguir manter os consumos básicos do dia-a-dia. É verdade que o desemprego é hoje muito superior ao que era em 1995. Mas então, se também é verdade que em termos médios hoje produzimos muito mais, a consequência necessária é que tem de haver muita gente que está muito melhor na vida hoje do que estava no passado. Ou seja, as desigualdades aumentaram muito.

Mas voltando à minha pergunta: onde está a crise? Há sem dúvida muitas crises individuais. Há pessoas que, como disse, têm dificuldade em garantir condições básicas para uma vida digna: alimentação, vestuário, habitação... Mas apesar de tudo as pessoas que assim sentem a crise são uma minoria quando comparadas com todas as demais.

Para além dessas pessoas, há sem dúvida muitas outras que neste preciso momento não se sentem nada bem, por motivos económicos e não só, apesar de terem garantidas essas condições mínimas para uma vida digna.

A crise é subjectiva. O sofrimento de não poder usufruir de um iate pode ser tão grande como o de não poder comprar livros de estudo para os filhos. Quem somos nós para julgarmos o sofrimento de outra pessoa? O sentimento de crise é subjectivo. A crise é o mal-estar. A crise é subjectiva. A crise está dentro de cada um de nós.

E é este o momento em que eu tenho de dizer:

irmãos... dai as mãos... orai comigo!

Mas para lá dessas crises que as pessoas sentem à sua maneira, eu sinto que há uma crise mais profunda que nos afecta a todos. Fala-se muito de uma “crise de valores”. Pois... deve ser dos valores da bolsa! O único valor que aparentemente está em vigor, e já não é de agora, é o dinheiro. Esse valor nunca esteve melhor!

Ai as cunhas que pouca vergonha e tal... Mas se alguém tem um amigo numa situação que o pode ajudar e não utiliza essa relação para conseguir mais dinheiro é um lorpa. E ai os pobres, coitadinhos e tal... Mas se algum empresário paga mais aos seus trabalhadores quando pode pagar menos é um lorpa. Ai estes ladrões, que nunca houve tanta ladroagem e tal... Mas se alguém encontrar uma carteira e não a esvaziar primeiro antes de a devolver é um lorpa.

Vistas as coisas ao contrário, a justificação de que alguma acção ou omissão permite obter um rendimento superior parece válida em todas as circunstâncias. Esse é o único valor que eu vejo que anda aí em força. E se assim é, como é que se pode falar em crise de valores? Não há crise de valores nenhuma! Não há é valores, o que é diferente!

Às vezes até parece que as pessoas todas têm esses valores da honestidade, da humildade, da lealdade, da transparência, da justiça, da solidariedade e o que mais for bem dentro de si, bem presentes, e que são os outros que não os têm e/ou que não permitem que nós façamos as coisas da maneira correcta. São os outros. São sempre os outros. Tal como aquele inquérito à agressividade na condução, em que quase toda a gente responde que os outros são muito agressivos quando conduzem... Alguma coisa não bate certo, certo?...

Bom, para mim a crise é só uma e resume-se nisto: nós, cada um de nós, vivemos fechados cá dentro da nossa cabeça, esquecendo que dentro da cabeça que está imediatamente ao nosso lado está outra pessoa com quem podemos partilhar tanto. A vida é hoje muito mais complexa do que era porventura há uns séculos atrás. De alguma forma esta vida mais complexa fez-nos acreditar que há muitas vidas possíveis e que não se cruzam. No entanto, eu defendo que, apesar de não conhecermos as mesmas coisas e apesar de não termos de gostar das mesmas coisas, temos e podemos querer-nos bem uns aos outros.

Dizia o José Mário Branco numa das suas letras “já vivemos tão juntos e tão sós, que da vida perdemos o sentido”.

A crise é acreditarmos tão firmemente que isto não pode ser de outra forma. Que a economia não pode ser de outra forma. Que a vida dos outros não pode ser de outra forma. Que a nossa vida não pode ser de outra forma. É a ideia de que já não há nada por fazer, a não ser prosseguir com o que já existe, e o vazio que daí resulta. É a falta de sentido que isto tudo faz.

A crise é a falta de sentido.

Em contraponto, Sophia de Mello Breyner dizia:

Apesar das ruínas e da morte
Onde sempre acabou cada ilusão
A força dos meus sonhos é tão forte
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos ficam vazias

Há muito por fazer, há sim. E há sentido para as coisas. A felicidade é o nexo e o sentido.

A minha felicidade é o sentido que não me falta.

Quero-vos bem.

Desculpem qualquer coisinha.

Obrigado por estarem aí, por me darem sentido, por me fazerem feliz!


AWF, discursado em versão resumida a 4 de Julho, escrito em versão definitiva a 10 de Julho.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Calções sem cu?...


Só noutro dia é que reparei que os meus velhinhos calções fabricados na "Reino Montanhoso do Lesoto" (!) são Senqu! :)

Sauna no trabalho...


Aí está a minha engenhoca toda artilhada com leds de infra-vermelhos e transdutores de deslocamento linear num ensaio realizado nesta segunda-feira no pavilhão de hidráulica no LNEC.

O ambiente estava de tal ordem que um colega meu não esteve com meias medidas: foi buscar uma ventoinha ao gabinete e pôs-se de tronco nu! :) Foi uma verdadeira tortura... Todo aquele telhado irradiava... mesmo as tábuas de madeira que aí se vêem na foto estavam quentes como um pedaço metálico ao sol!... Ossos do ofício! Só não os tem quem não tem ofício! :)

Fisgas...


No passado sábado, dia 3, foi dia de aniversário do Daniel. A festa foi marcada para as lagoas a montante das Fisgas de Ermelo, no parque natural do Alvão. E que boa escolha!



Aí está o aniversariante em evidente tentativa de suicídio! :)

As quedas de água maiores, não visíveis nestas fotos, são impressionantes. Aliás, toda a paisagem envolvente é impressionante e merece mesmo uma visita. Fica aqui.



E esta foi ao fim da tarde, no início dos comes e bebes... Há muito tempo que estava para pegar numa lesma. Obrigado Margarida por me ajudares a ultrapassar este medo!... :) Esta vai direitinha para a minha colecção de mãos. :)

Iogurte de varanda...


Este calor todo não podia significar apenas desvantagens!... Não sei quantos graus a minha marquise atinge, e tenho medo de os medir a todos... mas que dá para uns óptimos iogurtes, não haja dúvida! :)

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Eu nos meandros da ponte 25 de Abril...


Esta foi a melhor foto que consegui de mim mesmo! (a máquina estava presa ao colete para não cair e eu não via nada de jeito e tinha mais que fazer... de qualquer forma, é claro que na ponte 25 de Abril o mais bonito que há para ver sou eu!...)

terça-feira, 29 de junho de 2010

Cabelo vem, cabelo vai...


"O vento leva os cabelos, ó caecas" :)

Lagoa sem nome...


Neste passado domingo, dia 27, conseguimos juntar mais uma lagoa à lista de lagoas espantásticas em Portugal! Desconheço sequer se tem algum nome. Certamente parece frequentada apenas por bichezas não bípedes.

É a que aparece aí no centro da imagem do gmaps (vejam aqui):

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Cinto de segurança humano...

Mais a sério...



menos a sério...

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Jacarandás de Lisboa...


Desde há poucas semanas, mas aparentemente para durar ainda mais algumas, os jacarandás da cidade de Lisboa estão neste estado... E há-os aos montes! :)
Este estava acompanhado de outros três nesta praceta perto do castelo de São Jorge.

De que cor são os meus olhos?...


Oito sectores circulares do meu olho esquerdo em diferentes luminosidades. As fotos originais, tiradas por mim próprio, são razoavelmente más!...

De qualquer modo dá para ver que os meus olhos são sobretudo castanhos, mas também têm outros tons. São claramente olhos rafeiros! :)

terça-feira, 8 de junho de 2010

Mais sobre a crise...

Ora então, dados do INE, que podem ser encontrados neste relatório e neste, ou noutros documentos:

PIB a preços constantes de 2000 (isto é, descontando a inflação):

  • 1995 - 101 884 000 000 €
  • 1996 - 105 495 000 000 €
  • 1997 - 109 673 000 000 €
  • 1998 - 114 697 000 000 €
  • 1999 - 119 055 000 000 €
  • 2000 - 123 079 000 000 €
  • 2001 - 125 178 000 000 €
  • 2002 - 125 682 000 000 €
  • 2003 - 124 670 000 000 €
  • 2004 - 126 560 000 000 €
  • 2005 - 127 711 000 000 €
  • 2006 - 129 458 000 000 €
  • 2007 - 131 882 000 000 €
  • 2008 - 131 834 000 000 €
Ora então, mais coisa menos coisa, Portugal nunca produziu tanto como agora. Nunca na nossa história fomos tão ricos como somos hoje!

Então expliquem-me lá porque é que se diz que lá para os anos 90 era o tempo das vacas gordas e agora estamos todos em crise. Vá lá, expliquem-me...

E no entanto, também é um facto que o desemprego em Portugal é o mais alto desde sei lá quando...

Tudo se explica, portanto, por uma desigual repartição do produto. Como é evidente, aliás. Agora digam-me lá: quem beneficia mais com esta ideia generalizada de crise: quem tem o emprego mal pago por um fio ou quem tem dinheiro e quer fazer ainda mais?

segunda-feira, 7 de junho de 2010

"A crise e o défice"...


Num panfleto afixado à entrada do departamento onde trabalho...

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Os computadores do LNEC...

terça-feira, 1 de junho de 2010

Crude no Golfo do México...

Retirado sem autorização do "telegraph" de hoje, dia 1 de Junho de 2010.


Oysters were broiling, softshell crabs frying, seafood gumbo simmering and spirits being obstinately kept up at the Plaquemines Parish annual seafood festival at the weekend. But then the devastating news came through. Billy Nungesser, the rotund president of the Louisiana parish at the centre of the US fishing industry in the Gulf of Mexico, was just getting up to speak when a BlackBerry message told him of the failure of the "top kill". It was BP's best chance of choking off the volcano of oil a mile beneath the surface of the sea, which opened up after the accident on the Deepwater Horizon rig that killed 11 people.

"I saw the message and my knees got weak and I forgot everything I was going to say," he recalls. "I looked at those men and women in the crowd. And I couldn't, didn't have the heart to tell them it didn't work."

The news, many local people feared (when they finally heard it) could mean that the annual celebration of the rich harvest from the Gulf, held in a bend of the Mississippi near where it pours into the sea – was the last held. For it marked the moment that what has become the worst US environmental disaster threatened to tip into a full-blown catastrophe.

When Nungesser finally found his voice, he told his audience: "Stay encouraged, keep the faith. We're going to beat this thing and we're not going to back down." But afterwards, he predicted that the spill would "destroy south Louisiana", adding: "We are dying a slow death here, and we don't have time to wait while they try solutions."

Sunday's abandonment of BP's three-day attempt to plug the well, 48 miles offshore, through "top kill" – injecting vast amounts of heavy mud and junk, including golf balls and shredded tyres, into the belching hole in the ocean floor – appears to have put an end to hopes of shutting off the flow of oil any time soon.

Senior White House figures accept that there is little chance of choking it off until two relief wells, bypassing the volcano, are completed, which is expected to be in August. And by then the spill is set to have got much, much worse.

BP will continue to grapple with what it has come to call "the beast", but it has used up all its relatively easy options. Attempts to close off valves with remote-controlled submarines, and to lower a steel and concrete container over the leak, have both failed over the past weeks. And administration officials – led by Steven Chu, the Nobel Prize-winning Energy Secretary – stopped the "top kill" attempt because of "very, very grave concerns" that it was putting too much pressure on the well, and so risking greater disaster.

Now the company is having to move on to even more difficult operations, where the likelihood of making things worse increases even as the chances of success fall. Its next ploy is to try to cut the broken pipe through which the oil is being emitted, and to lower a dome to capture most of the black sticky liquid and siphon it off. But this is likely to increase the flow by a fifth, at least in the short term, and even if it works, will not shut it off completely.

So the focus is increasingly shifting to containing the spill. Attempts to do this have, of course, been going on from the start. BP has been trying to burn and skim off the oil, and to keep it from reaching land by laying hundreds of miles of booms, but with limited success. After being kept at bay by favourable winds, the oil has begun to come ashore; about a quarter of Louisiana's 400-mile coast is polluted.

The oil is making landfall in the fragile but ecologically vital wetlands, which are used by three quarters of US waterfowl, and are critically important nurseries for fish. Ninety per cent of the Gulf's marine species depend on the wetlands at some stage of their lives, and most are located in Louisiana. Largely because of that, the state produces more fish and seafood than anywhere else in the country, outside Alaska.

Worse, this is the breeding season. The waters of the wetlands should be a factory of life, churning with fish and alive with birds feeding on them. But they are unnaturally quiet. Some scientists fear that the marshes could die altogether if they become seriously polluted. They are already under severe pressure; about 24 square miles disappear every year.

The oil could smother and kill the grasses that hold the whole system together, leaving just mud to be rapidly washed away. And the hurricane season, predicted to be one of the worst for years, officially opens today, leading to concern that the storms could turn the spill into crashing black surf and drive it far into the wetlands.

But it may well be that the worst effects are occurring far out to sea. As Dr Reese Halter, of California Lutheran University, puts it, this one is "behaving unlike any other oil spill ever observed before". Scientists say that, instead of rising to the surface as normal, much of the oil is spreading in giant underwater plumes; one is thought to be 22 miles long.

This may be because dispersants were sprayed on to the oil near where it was emitted, reducing its buoyancy. The chemicals are highly toxic and break the oil up into small droplets, which can be eaten by sea life.

"Every fish and invertebrate contacting the oil is probably dying," says Prof Prosanta Chakrabarty of Louisiana State University. He recently discovered two new species of fish off the coast, but fears that they will become extinct before his findings are published in a scientific journal in August.

President Obama this weekend announced that the onshore clean-up effort would be tripled, but as well as doing nothing to combat the peril of the plumes, his initiative has come too late to prevent perceptions of his handling of the crisis plummeting. In a sense, that is unfair. It is BP, not the administration, that is supposed to have the expertise and equipment to tackle the leak. And by US law, the government is not supposed to take charge of clean-up operations when a private company has promised to meet the bill, as BP has done.

Politically, however, the President has been inept, projecting his cool, "no drama Obama" style, when a "bullhorn moment" – like George Bush's at Ground Zero just after September 11 – might have served him better. He relied too much on BP's early assurances that it had the situation under control, and on its gross understatement of the scale of the spill; some 19,000 barrels of oil a day are thought to be gushing out, compared to the 1,000 originally announced.

It is also embarrassing that Obama opened up vast areas of US waters to oil drilling just weeks before this accident. But though it may give him an opportunity to push more strongly for a promised expansion of renewable energy, there is little sign of the spill doing much to wean the US off its addiction to the black stuff. Thirty per cent of the fuel used to transport Americans comes from the Gulf and, even now, about half of them approve of offshore drilling.

There will undoubtably be tougher controls on the oil industry: one revelation of the crisis has been how poorly it was regulated.

Indeed, Obama announced last week that 33 deepwater drilling operations in the Gulf – 22 of them off Louisiana – would be suspended immediately, and that no new ones considered for at least six months.

That, however, will do even more damage to the battered state, by shutting down the oil industry as well as its fisheries. For the people of the Gulf coast, that will be no better than plunging from the Plaquemines festival's frying pans into its fires.

Uxu Kalhus... Ou como misturar danças tradicionais com... vejam vocês mesmos!



Em Évora, no dia 30 de Maio. Até os ossos da capelinha mesmo ao lado abanaram todos!...


Dizem que eu por dentro sou assim...

Raio X (ui, radiações, que perigo!...) ao meu ombro direito. Muito útil... É, fiquei a saber que tenho lá costelas e clavículas e úmeros e omoplatas e coisas que tais... Como o acrómio, o danado do acrómio!... Mas não fiquei a saber muito mais.


Por isso toca a fazer uma ressonância magnética. Este exame é ainda mais atterrador! Primeiro metem-me num campo magnético fortíssimo (é preciso fazer muita força para manter os ossos unidos) para alinhar os spins dos núcleos atómicos, depois dão-me um impulso forte de radiação electromagnética numa frequência adequada à alteração de spin nos átomos de hidrogénio. Depois à medida que os spins voltam a ficar alinhados, emitem eles próprios essa radiação! Que HORROR!!!... Quer dizer que eu próprio emito radiação??... NÃÃÃOOOO!!!...


Acho que até ficava bem passado na brasa...

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Manifestação - Lisboa - 29 Maio


No passado sábado fui ver um filme e acabei por ver outro.

Ia experimentar a cinemateca de Lisboa, pela primeira vez. Tinha seleccionado um filme que me pareceu interessante e lá fui eu. Grande correria, a ver se chegava a horas e cheguei! Só que ao sítio errado! Afinal a cinemateca está em mais do que um sítio e eu fui ao errado... Ora bolas... Pronto... fica para a próxima.

Volto à rua onde já havia muitas pessoas com cartazes e megafones e tal... Uma manifestação, penso eu... Ora deixa ver. E lá fiquei, feito mirone.

Calhou bem que naquele dia, por obra do senhor, tinha vestida a t-shirt verde que diz "recibo verde, since 1993"! :)

E lá fiquei mais de duas horas a assistir a um mar de gente a descer em direcção à rotunda do marquês (eu eventualmente trepei à estátua no centro da rotunda para ver melhor e lá fiquei) e depois pela avenida da liberdade abaixo.

Dizem os sindicalistas que seriam 300.000 pessoas. Pelas minhas contas seriam entre 50 e 100 mil. Fosse como fosse era muita gente... muita mesmo.

Duas opiniões rápidas sobre o assunto.

As coisas estão de facto mal para muitas pessoas. Eu sei disso, porque contacto com a sua realidade. Aliás, contacto com a minha própria realidade... Os sujeitos do bloco de esquerda tinham cartazes com a cara de alguns maiorais de grandes empresas portuguesas, dizendo "o cinto deles nunca aperta" e com a indicação de sei lá quantos milhões de euros que eles recebem ou receberam ou os lucros das empresas ou seja lá o que for...

E a realidade é esta e é evidente para quem a quiser ver: as disparidades económicas têm aumentado muito. De facto, o bolo, o produto, ou chame-se o que se quiser, é maior do que em, por exemplo, 1997, mas agora as pessoas sentem-se muito mais afectadas pela "crise" do que nessa altura. Para onde terá ido o dinheiro?... A resposta é evidente e é evidente também que é preciso protestar contra esta concentração cada vez mais acentuada do carcanhol.

No entanto, não me parece que o problema possa ser ultrapassado com lutas de trabalhadores contra patrões. Na sua essência, trabalhadores e patrões são muito similares nas aspirações e nos modos de vida. São ambos parte de um sistema que sinto estar profundamente errado. Alterar o sistema é que é necessário. E isso implica mudar o que vai na cabeça das pessoas, as suas aspirações e os seus modos de vida. Enquanto o trabalhador lutar para estar na situação do patrão, não me parece que a coisa irá mudar muito.

A segunda opinião é a seguinte: que bando de gente com ideias tão malucas na tola!... E tanta gente com as ideias dos outros na tola, o que é verdadeiramente preocupante... Gritar palavras de ordem e tal... Enfim, grande dose de carneirada. Enfim, enfim...

Fica este cartaz, foto retirada sem autorização daqui, onde se pode ler um artigo que vai de encontro a esta minha segunda opinião.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Celina...

Três videos. Este primeiro com Naragonia e o seu tema "Calimero" ao qual a Celina acrescentou a popular canção da "Pêra Verde". No clube ferroviário, Março de 2010.



Este segundo porque é bonito. Et voilá, tem uma foto minha!... As minhas fotos já andam no youtube e eu não sabia!... :)



E este terceiro, para mim um regresso à origem, com 7 Luas Orquestra, no festival Sete Sóis Sete Luas em Castro Verde, Setembro de 2009. O som não é bom...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Parabéns Júlia!... Parabéns Filipa!...


Tlês aninhos, completados no dia 12.
Tlinta e tlês mais um, a completar no dia 30.