terça-feira, 24 de agosto de 2010

Destas formas de amar - parte 1...

Destas formas de amar todas... Umas mais à esquerda, outras mais intensas, umas mais caseiras, outras como uma montra de uma loja no Natal...

Porque é que amar tem de doer?

O que é ser “cool”? Cool é o tipo impassível, que parece estar sempre acima de tudo o que se desenrola ao seu redor. Acima, ao lado, tanto faz... noutro universo. Há muitas formas de ser cool. Uma delas é estar simplesmente distraído. O carro dirige-se a uma velocidade assombrosa para o nosso sujeito cool. Está-se mesmo a ver que vai causar muitos danos. Mas o nosso sujeito cool continua entretido a palitar os dentes com uma palha qualquer arrancada do chão uns minutos antes. Trinca, mastiga, faz movimentos com os lábios... Que esplendoroso que sou... Ah!... Que belo dia este!... E o carro sempre a andar, a direito ou a torto, na sua direcção...

Outra forma de ser cool é ser simplesmente imbecil. Ignorar causas e consequências quando elas estão escarrapachadas mesmo à frente do seu nariz... Algo muito próprio de um crocodilo, por exemplo... Saber que o inimigo tem uma arma apontada à sua cabeça, mas esquecer-se que ela até pode ser disparada e que possivelmente isso irá provocar algum mal-estar...

Ou então ser egoísta. Esta é a forma mais admirável de se ser cool. Porque se tem a possibilidade de pensar e sentir um pouco, de se ser solidário, preocupado e responsável, mas em vez disso opta-se pela estratégia do “que é que eu tenho a ver com isso?”. Não querer saber é muito mais sofisticado e tem muito mais estilo do que um não poder saber porque se está distraído ou não se sabe pensar com dois dedos de testa. Imaginemos o herói de Hollywood que num cenário de verdadeira catástrofe se está a marimbar para tudo o que ocorre à sua volta...

“Cool” significa frio em inglês. É cool o tipo que é frio, isto é, que não sente. Assim um pouco como um calhau à sombra. Ou como o nosso crocodilo, animal de sangue frio, sempre cool, misteriosamente mesmo quando se deita ao sol. Um animal cem por cento cool.

Porque é que um tipo cool há-de mover um dedo para o que quer que seja? Na realidade, se levarmos as coisas ao limite, o tipo cool não há-de mover dedo algum. Há-de permanecer sempre cool no seu lugar, com um sorriso no canto da boca, e a mesma palha já sobre-mascada e a parecer um monte de baba unido por um fio castanho, até ao seu juízo final. Nesse momento ele irá encarar a própria morte com o mesmo sorriso no canto da boca. E será ainda esse sorriso que ele apresentará ao São Pedro às portas do céu, ciente que ninguém o poderá acusar de pecado por acção... Talvez um pouquito por omissão, vá lá... Mas também se tiver de ir para o inferno, isso não é nada que apoquente um tipo verdadeiramente cool.

Na verdade, a emoção tem um papel fundamental na acção de um indivíduo. Estão bem documentados casos de pessoas com distúrbios mentais que afectam sobretudo as emoções, embora deixando as respectivas capacidades técnicas intactas, e que se transformam em pessoas completamente inertes, vegetais autênticos, porque perante situações concretas não são capazes de tomar uma decisão sobre agir ou não agir, ou acerca da forma como agir.

Acerca disto eu costumo utilizar o exemplo do sujeito que se passeia num jardim romântico, daqueles com caminhos em desenhos muito pouco rectilíneos, normalmente ladeados por canteiros ou sebes de algum tipo de arbusto. Eventualmente o sujeito poderá deparar-se com uma bifurcação do caminho em que segue, com os dois caminhos resultantes perfeitamente simétricos e voltando a unir-se alguns metros mais adiante. Como é que o sujeito decide qual dos dois caminhos tomar?

Numa tal situação, um ser perfeitamente racional, qual computador com pernas, resolvendo passos de algoritmos a cada passo do caminho, poderia empancar. Bom... talvez se resolvesse a situação saindo e voltando a entrar!...

As emoções são fundamentais para as decisões, para as opções, e por essa via são também fundamentais à acção. E se assim é, então o indivíduo perfeitamente cool, frio, insensível, terá sérias dificuldades em agir. O que também está certo, uma vez que se coaduna muito bem com o seu estatuto de cool, o tipo que mantém o sorriso no canto da boca mesmo quando o prédio onde está ameaça ruir em pleno terramoto. Nunca ninguém saberá se o tipo era um cool com pinta ou um cool idiota, mas enfim!...

Quando se sente, a coisa muda de figura. Sentir, ter emoções, é gostar e desgostar, é querer e não querer, é o contrário de ser impassível. Uma pessoa que gosta, não pode ficar indiferente quando o objecto desse sentimento se modifica. Gostar é ter sangue a fluir, é ter rubores e suores nos sítios e nos momentos mais inoportunos. É coração, é vermelho, é calor. Quem sente e quem gosta, verdadeiramente, não pode ser cool. Uma mãe cool perante o seu filho deveria ser internada de imediato!

Sentir muito, gostar muito, querer muito não implica apenas coisas boas. Uma consequência negativa é, por exemplo, a interferência desses fortes sentimentos no pensamento racional clarividente. E pouco será necessário dizer a este respeito, pois acredito que todos já passaram por, ou já foram testemunhas de, situações aflitivas em que a aflição comprometeu um potencial melhor rumo para os acontecimentos.

Outra consequência negativa de querer muito é a possibilidade de não ver esse sentimento correspondido. Em quase todas as coisas que uma pessoa quer muito há um conjunto de factores dos quais apenas uma pequena parte depende principalmente (já nem digo exclusivamente) do sujeito desse querer. Queremos que o Olhanense ganhe o campeonato, que o PIB aumente, que o nosso filho tenha boas notas na escola, que o trânsito esteja bom amanhã de manhã, que não chova, que os tomates não sejam atacados pelos bichos, uma promoção no trabalho, ganhar a lotaria, etc., etc., etc. E sempre que queremos algo que não depende de nós corremos o risco de ficarmos desiludidos, de perdermos a ilusão de alcançarmos a coisa querida.

Conforme algumas religiões o afirmam, o desejo é a fonte do sofrimento.

Então, qual é a solução? Bom, é bastante evidente que se o desejo é a fonte do sofrimento, para não sofrer basta não desejar, isto é, ser cool. Ser cool é, portanto, o caminho para o não sofrimento. Infelizmente, ser cool é também o caminho para o não prazer. E também, digo eu, para uma existência mais idiota, porque mais desprovida de sentido. Creio que Buddha terá sido muito cool... e não sei se isso é muito abonatório... Mas vá, temos de inserir as coisas no seu contexto histórico se queremos compreender o seu total significado. Buddha viveu alguns séculos antes do outro... como é que ele se chama?... o... o... o Cristo! E bom, nessa altura a vida não devia ser muito fácil, sobretudo para quem houvesse encarnado noutro ser que não um sujeito poderoso. Não admira, nesse contexto, que deixar de ter grandes prazeres fosse um preço razoável a pagar para deixar de ter grandes sofrimentos.

Quem advoga, no entanto, que na sociedade actual o melhor caminho para ser feliz é deixar de querer coisas (não necessariamente para nós próprios), é porque leva uma vida mesmo infeliz, ou então porque não está a ver bem o cenário todo. Certamente a minha opinião é bem diferente.

Eu acredito que a felicidade se adquire sobretudo pelo sentido que conseguimos atribuir à vida, como um todo, e a cada pequena parcela que a constitui na medida em que possa estar de acordo com o sentido mais geral.

Ora racionalmente, tanto quanto julgo saber, é difícil de fixar um sentido para a vida. Quererão porventura ajudar-me a explicar qual o sentido de os átomos do meu corpo se terem agrupado e em conjunto decidirem começar a escrever sobre este assunto?...

O sentido das coisas e da vida, o rumo que lhe damos, depende das nossas emoções, depende daquilo que queremos para o mundo que nos rodeia e para nós próprios.

Afirmo, portanto, que a felicidade depende do sentido e que o sentido depende da nossa vontade. Afirmo em simultâneo que a vontade é a fonte do sofrimento. E para que não julguem que endoideci de vez, afirmo o conjunto destas duas afirmações, isto é, que o sofrimento faz parte da felicidade. Isto é, não há solução para a intenção de querer ser feliz sem sofrer e é um beco sem saída pretender que a felicidade se alcança evitando o sofrimento. Evitando o sofrimento evita-se também a felicidade.

A meu ver só temos uma dimensão ao longo da qual nos podemos tentar posicionar: é a dimensão que tem num extremo a segurança e no outro extremo a assunção do risco. Creio que o posicionamento ao longo desta dimensão, mais para um lado ou mais para o outro, depende principalmente da dimensão dos nossos medos e da nossa capacidade para os ultrapassar (e não eliminar), isto é, do nosso espírito de sacrifício, da nossa capacidade para suportar a dor, da nossa entrega (ao conhecido e ao desconhecido).

Dizendo o mesmo de outra forma, defendo que devemos assumir tantos riscos (de preferência que não sejam riscos idiotas, ou seja, com probabilidades reduzidíssimas de sucesso, e isto remete para a discussão sobre a nossa capacidade de discernimento, o que ocuparia toda uma outra palestra) quanto o nosso espírito de sacrifício o permitir. Penso que a felicidade depende disso. A felicidade depende de assumirmos riscos, de querermos coisas, de nos sujeitarmos às consequências menos positivas que daí possam advir. Se queremos ser felizes temos de querer muitas coisas, de nós e dos outros e do mundo, para nós e para os outros e para o mundo.

Amar é querer muito. Amar é fonte incerta de felicidade e de tristeza. Não tem de ser de uma ou de outra forma. Mas é um risco que se corre.

Valerá a pena? O que fazer quando dá em sofrimento?... Tema para um próximo capítulo.


AWF, Lisboa, 23 de Agosto de 2010

Geóide - Seríamos mais leves na Taprobana!...

Esta é a imagem planificada do geóide, obtida há pouco tempo pelo tratamento de dados recolhidos pelo satélite europeu GOCE.

Passo a explicar o que é o geóide, com uma volta ao bilhar grande - não se enervem que lá chegaremos.

Ao contrário do que acontece com os astronautas a meio caminho da lua, nós, gente comum que aqui anda na superfície da Terra, sentimos muito bem o nosso próprio peso. Sobretudo quando é necessário levantar da cadeira!... E porquê? Porque somos atraídos pela Terra.

Na realidade, somos atraídos pela Terra exactamente na mesma medida em que nós próprios atraímos a Terra! É giro, não é? A Terra puxa-me com uma força de 74 kgf (quilogramas-força) e eu puxo a Terra com uma força de 74 kgf. A questão é que 74 kgf para mim já é muito (é até demais!) e para a Terra não é quase nada.

Porque é que a Terra nos atrai? Porque tudo atrai tudo. E porquê? Ninguém sabe.

Ninguém sabe porquê, mas a verdade é que tudo atrai tudo. Matéria atrai matéria. As coisas atraem-se todas umas às outras. Portanto, a secretária que tenho à minha frente está a atrair-me, tal como a cadeira, tal como os carros, tal como as montanhas, e o magma todo por baixo delas, e os rios do outro lado do mundo... O Sol também me atrai. E as estrelas também.

Mas se as estrelas me atraem, e se elas estão tão bem distribuídas à nossa volta, porque é que eu não fico a levitar, como se elásticos me puxassem para todas as direcções ao mesmo tempo?

Bom, isso não acontece porque as coisas que nos são mais próximas nos atraem mais do que as que estão mais afastadas. É uma relação quadrática, isto é, a atracção é inversamente proporcional ao quadrado da distância. Se um objecto que está a uma determinada distância de mim for afastado para o dobro dessa distância, a força com que ele me atrai diminuirá para um quarto do valor inicial. Como as estrelas estão muito, muito, muito longe, a sua força de atracção é desprezável face às coisas que nos estão mais próximas, nomeadamente a matéria toda da Terra.

Mas será que nós pesamos exactamente o mesmo onde quer que nos encontremos à superfície da Terra?

A resposta a esta questão é negativa: não pesamos o mesmo, o nosso peso depende do sítio onde nos encontramos. Ouvimos muitas vezes dizer que o planeta Terra é parecido com uma esfera achatada nos pólos. Ora, se assim é, se eu me colocar num dos pólos da Terra, estarei de algum modo mais próximo de toda a matéria da Terra do que se estiver sobre o equador. Portanto, quando estou num dos pólos, a matéria da Terra atrai-me com mais força (porque estou mais próximo dela) e logo eu fico, como que por magia, mais pesado.

Alternativamente, se eu me colocar sobre o equador, ficarei relativamente mais afastado da matéria da Terra, logo serei menos atraído e ficarei mais leve. Mas desenganem-se aqueles que pensam que ao ir para uma praia equatorial já não precisam de fazer dieta: a diferença de peso entre um pólo e o equador é apenas de qualquer coisa como 0,09%. No meu caso seriam menos de 100 gf (gramas-força).

Na realidade, se eu estiver no equador, ficarei ainda mais leve por outro motivo bem diferente. É que a Terra gira. E se eu estiver na periferia de um objecto que gira, eu ficarei sujeito a uma força centrífuga, isto é, uma força que me atira para longe do centro de rotação. No caso da Terra, a alteração de peso entre um pólo e o equador devido à força centrífuga é de cerca de 0,34%. É uma alteração pequena, mas ainda assim mais significativa que a alteração de peso devida ao achatamento da Terra nos pólos.

Finalmente, existe ainda outro factor a afectar a força com que somos atraídos pela Terra, mas que é essencialmente semelhante ao primeiro que já referimos, e que é o relevo. Se eu estiver no topo de uma montanha estarei mais longe da matéria da Terra e logo serei menos atraído e ficarei mais leve. Inversamente, à beira mar ficarei mais pesado. Quanto mais alto estiver, mais leve ficarei.

Bom, finalmente o geóide.

Se andássemos pela superfície da Terra a medir o nosso peso poderíamos associar a cada ponto um determinado peso, uma vez que já vimos que esse peso varia de ponto para ponto por causa da forma da Terra, da altitude a que nos encontramos à sua superfície e da proximidade do equador (isto é, por causa da força centrífuga resultante da rotação da Terra).

Imaginemos que depois desse trabalho feito, eu determinava qual era o meu peso médio em toda a superfície da Terra. Por exemplo, 74 kgf. Depois, poderia em cada ponto da Terra comparar o meu peso nesse ponto com o meu peso médio. Imaginemos que em Nova Iorque eu pesava 74,1 kgf. Então, eu podia calcular qual seria a altitude a que eu deveria estar em Nova Iorque para que o meu peso voltasse ao meu peso médio, isto é, aos 74 kgf. Deveria certamente subir uns bons metros. Se noutro ponto do planeta eu pesasse menos, por exemplo 73,9 kgf, então nesse ponto deveria descer, talvez para uma altitude negativa (abaixo de 0), para que o meu peso voltasse a ser de 74 kgf.

Se eu continuasse com o processo para todos os pontos da Terra e registasse quanto deveria subir ou descer para manter o meu peso médio, poderia então construir uma espécie de mapa de relevo da superfície da Terra. É esse mapa que é o geóide e que é representado na imagem no topo deste artigo.

Nessa imagem é possível ver que na zona da Taprobana (actual Sri Lanka, ao Sul da Índia), seria necessário descer uns bons metros para voltar a encontrar a força de atracção gravítica média. O mesmo é dizer que à superfície a força gravítica é inferior à média e, portanto, se lá andássemos estaríamos mais leves!

Mais info:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Geoide
http://en.wikipedia.org/wiki/Earth%27s_gravity

Indicadores de felicidade...

O mundo de acordo com o HPI (Happy Planet Index). A castanho escuro os países com pior classificação, a verde os países com melhor classificação.

O Produto Interno Bruto (PIB) ou seus derivados (rendimento, produto ou consumo, interno ou nacional, bruto ou líquido) é um indicador que apresenta muitas falhas quando tenta traduzir o nível de progresso ou de bem-estar de um país ou população. Entre outras críticas que se podem apontar a este indicador estão as seguintes:
  • contabiliza o rendimento, isto é, o que se aufere, mas não o que se tem, isto é, o património;
  • contabiliza apenas o que é declarado às autoridades e não a economia paralela (que pode ser ilegal ou legal, como a produção de bolos caseiros para dar aos netos);
  • não contabiliza tudo o que acontece numa sociedade que não seja objecto de uma transacção monetária;
  • não tem em conta a desigual repartição do rendimento;
  • não contabiliza negativamente a depleção dos recursos naturais (internos ou externos) nem a produção de poluentes (em vez disso contabiliza-os positivamente!);
  • contabiliza positivamente a produção, distribuição e consumo de bens e serviços que não contribuem para o bem-estar da população como por exemplo a venda de armas;
  • não contabiliza o modo como a actividade económica afecta física e mentalmente as pessoas e fortalece ou enfraquece as relações sociais.
Podem ver aqui mais detalhes sobre as fraquezas deste indicador.

Diversas pessoas e organizações, ao longo de décadas, têm feito esforços no sentido de implementar outros indicadores, mais fidedignos da realidade que de facto se quer inquirir, seja ela a felicidade das pessoas ou a sustentabilidade da actividade económica (e por muito que estas duas possam estar relacionadas, são coisas muito diferentes!). Deixo aqui três sugestões de leitura:
E se se procurar por este tema na Internet encontrar-se-á certamente um manancial enorme de publicações sobre o assunto.

A questão pertinente que deve ser colocada é portanto: porquê esta insistência na utilização de um indicador como o PIB?... Deixo a questão em aberto.

Entretanto, a meu ver, nada mais simples haveria, para saber por exemplo se a população está mais ou menos feliz, que perguntar directamente a cada pessoa (ou a uma amostra delas) quão feliz se sente. A questão poderia, por exemplo, ser colocada da seguinte forma: de 0 a 10, sendo 0 profundamente infeliz e 10 profundamente feliz, quão feliz se tem sentido no último mês? É uma pergunta objectiva, que requer uma resposta subjectiva, para construir um índice subjectivo, uma vez que a felicidade das pessoas é sem dúvida uma coisa subjectiva, muito mais importante que a quantidade de bonecos que temos nas prateleiras lá em casa.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Nas paredes de Lisboa...


Na Mouraria, e só aí! :)

Criação do Mundo, se Deus fosse Miguel Torga...


Casa da Cultura, Vimioso.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Festa de aniversário...

No início deste mês, em Gaia, a propósito de eu ficar mais velho...
Obrigado Bruno pela foto!
Obrigado pai por me teres ensinado a fazer figurinhas tristes!
:)

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Humor - Jesus Cristo no hospital...


Jesus Cristo, cansado do tédio do Paraíso, resolveu voltar à terra para fazer o bem. Procurou o melhor lugar para descer e optou pelo Hospital de S. Francisco Xavier, onde viu um médico a trabalhar há muitas horas e a morrer de cansaço.

Para não atrair as atenções , decidiu ir vestido de médico. Jesus Cristo entrou de bata, passando pela fila de pacientes no corredor, até atingir o gabinete do médico.

Os pacientes viram e comentaram:
- Olha, vai mudar o turno...

Jesus Cristo entrou na sala e disse ao médico que podia sair, dado que ele mesmo iria assegurar o serviço. E, decidido, gritou:
- O PRÓXIMO!

Entrou no gabinete um homem paraplégico que se deslocava numa cadeira de rodas. Jesus Cristo levantou-se, olhou bem para o homem, e com a palma da mão direita sobre a sua cabeça disse:
- LEVANTA-TE E ANDA!

O homem levantou-se, andou e saiu do gabinete empurrando a cadeira de rodas. Quando chegou ao corredor, o próximo da fila perguntou:
- Que tal é o médico novo?

Ele respondeu:
- Igualzinho aos outros... nem exames, nem análises, nem medicamentos... Nada! Só querem é despachar...

terça-feira, 13 de julho de 2010

Sem nome...


Escultura da Celina no meu lego milenar...

Música pelas ruas de Lisboa...

Fui à segunda "Feira da Achada" na Mouraria, aqui. Ia ver o que se passava por lá. Discos e livros velhos era o que eu esperava encontrar. E encontrei-os. Mas também encontrei isto:



"De não saber o que se espera" do Zeca Afonso, cantado pelo coro da Achada. Podem ver as letras aqui. Foi óptimo! Música por gente e para gente em local de gente!

Gravei também esta próxima, que se chama "E o asfalto é tão largo", um manifesto contra o domínio do automóvel sobre os espaços públicos das cidades. Assino por baixo!



Mais tarde, no largo de São Carlos, inserido no "festival ao largo", que dura ainda até 27 de Julho e que nos dá música ao ar livre, à borla, quase todos os dias, ouvi algumas peças que são autênticos clássicos. Foi óptimo ver tanta gente na rua. Por outro lado foi péssimo!... :)

Vai aí um trecho do segundo andamento do concerto de Aranjuez de Joaquin Rodrigo.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Discurso de aniversário...

No passado dia 4 de Julho houve festa. O pretexto era o meu aniversário que todos os anos cisma em repetir-se no dia 29 de Junho (mesmo quando calha num domingo!). Houve discurso. E se houvesse mais paciência, minha e da minha audiência, o discurso teria sido mais parecido com o que de seguida aqui vai. Foi uma versão reduzida. Mas o essencial ficou dito. E significava isto:

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Obrigado.

Obrigado porque estou feliz, porque estão hoje aqui comigo. Mas não só por isso.

Queria aproveitar a vossa presença para vos pregar um sermão sobre a história da minha felicidade. Ora bem... a minha felicidade foi-se construindo desde muito cedo. Devia ter uns três anitos quando tive os meus primeiros episódios de otite. Pelo menos é assim que me lembro deles. E bolas que dói!... Furei os tímpanos à custa das infecções, e assim começaram as minhas maleitas de otorrino que fizeram com que hoje não ouça lá muito bem. O interessante é que tenho dificuldade em ouvir os sons de menor intensidade, e assim às vezes não percebo o que as pessoas dizem, mas também que me custa suportar os sons de maior intensidade!

Mais ou menos na mesma altura tive um episódio em que ia morrendo afogado. Não sabia nadar, e numa brincadeira estúpida a atravessar uma ponte de tábuas de madeira molhadas escorreguei e caí ao rio Mondego em Penacova. Ainda hoje me recordo da sensação... Nem deu para ter medo... Apenas estava entretido a chapinhar e a ir acima e abaixo de água sem saber que a morte estava mesmo ali ao lado. Valeu-me o meu irmão e um grupo de jovens que lá nadava perto.

Aos sete anos, se bem me lembro, apanhei hepatite A. Passei um mês inteiro na cama. Lembro-me bem do cheiro ao desinfectante Detol que tudo tinha. O meu quarto transformado em enfermaria. Todos os pratos e talheres a cheirar a Detol, toda a comida sem gordura, caso contrário vomitá-la-ia imediatamente como aconteceu várias vezes, e a cheirar a Detol... Quando voltei à escola percebi que tinha perdido a numeração romana! Sem dúvida um dos maiores choques da minha vida!

Uma actividade recorrente lá na minha rua, onde passava a maior parte do tempo livre, era a gozação. Gozar os outros, picá-los, sujeitá-los, expô-los... tudo actividades que se praticavam em abundância entre todos e a qualquer instante. Eu era, de um grupo que ao todo deveria ter umas vinte pessoas, dos mais novos, senão mesmo o mais novo. Estão a imaginar o festim que isso deu, não? Lembro-me de ter ido comprar electricidade em pó, brincadeira que resultou extraordinariamente bem com a conivência do senhor Saraiva, o senhor da mercearia lá do sítio. Lembro-me de ter ido entregar a pedra de afiar agulhas. Enfim, de tantas outras coisas que podem imaginar e que eu não vou referir aqui para não me humilhar mais do que já me humilharam na altura.

Pois depois do episódio da hepatite, que como sabem ataca o fígado e tem como consequência perturbações graves no sistema digestivo, sendo uma delas as crises de enjoo, eu ganhei um leque de produtos alimentares especiais, cuja simples referência era capaz de me deixar profundamente enjoado. Um desses produtos era um gelado que então existia, o corneto de tangerina. Bastava pensar no dito e ficava enjoado. Era claramente um enjoadinho! Agora podem imaginar o que é que aconteceu lá na rua quando todos souberam desse pequeno pormenor?... Bem, o meu mal-estar era de tal ordem que uma vez passei-me dos carretos, apanhei todo o tipo de pedras que consegui do chão e metralhei o meu agressor com toda a raiva que tinha dentro! Esse agressor, que num instante passou a vítima, foi o Tiago, a quem desde já peço desculpa pelo meu mau feitiozinho, mas que terá de compreender que enjoar uma pessoa dias a fio também não é coisa muito certa de se fazer!... O que vale é que a minha pontaria era tão boa que não me lembro de lhe ter acertado uma única pedra! Ah, a minha memória também já não é o que era!...

Mas a tortura da gozação ao elemento mais novo lá da rua era muito mais do que isto. Muito mais mesmo. Graças ao senhor faziam mesmo gato sapato de mim e gozavam-me a cada esquina, a cada oportunidade. É verdade que eu usava roupas estranhas. A minha combinação preferida, hoje, era a dos calções com galochas com t-shirt e com um enorme cachecol de lã com que ia para a escola. A verdade é que o cachecol era óptimo para as brincadeiras. Mas estão a ver a gozação que aquilo deu... Depois era o meu cabelo cortado à tigela, de onde adquiri a alcunha de “tigelinha”, era o facto de tudo quanto dissesse respeito a raparigas me passar ao lado (era homossexual, pelos vistos), etc, etc. Muito bom na construção da minha felicidade.

Já na adolescência tive a oportunidade de passar por uma apendicite aguda, com direito a toque rectal e a corte dos pêlos púbicos, o que é muito bom porque, como alguns devem saber, quando eles voltam a crescer dão cá uma comichão!... E é um pouco inconveniente coçar os tomates em público, certo?

Depois fui atropelado. Tinha juntado dinheiro ao longo de muito tempo e estava disposto a adquirir uma bicicleta na loja que existia na Avenida da Boavista, quase a chegar à rotunda (sabiam que a rotunda da Boavista não se chama rotunda da Boavista mas sim Praça Mouzinho de Albuquerque? E já agora, a rotunda do Castelo do Queijo também não se chama rotunda do Castelo do Queijo mas sim Praça Gonçalves Zarco? E que o Castelo do Queijo não se chama Castelo do Queijo mas sim Forte São Francisco Xavier? E que a Boavista é uma zona de contornos muito pouco definidos e que nem sequer é freguesia?...). Fui de eléctrico, e ao sair atravessei-lhe pela frente em corrida, o que é uma atitude muito sensata, uma vez que não permite ver quem vem lá. E quem vinha lá era um carro lançado a 60 km/h que me deu um encontrão de quarto ou quinto grau! Hoje lembro-me da sensação: uma pancada forte, quente, tudo escuro e depois apaguei. Quando voltei a acordar estava estendido no meio do asfalto já com um grupo de pessoas à minha volta e outras tantas a chegar. Voltei a mim muito rapidamente e enquanto me punha de pé e as pessoas me diziam “ó meu filho vê lá se partiste alguma coisa”, “ai que tens de ir ao hospital”, “estás bem?” eu só dizia “a minha carteira? onde está a minha carteira?”. Deram-me a carteira e lá fui eu a cambalear em direcção à loja das bicicletas. Mas os sujeitos não me deixaram. Tive mesmo de ir ao hospital. Felizmente, e apesar de ter amassado o pára-choques e o capôt e partido o farolim do automóvel, não tinha nada de grave. Arranquei uns pedacitos de carne aqui e ali e fiquei com dores mais além, mas nada que não passasse em poucas semanas. O medo de sair à rua por causa dos automóveis, esse durou mais algumas semanas a passar.

Alguns anos mais tarde tive uma infecção na boca. Era de tal ordem que eu tinha dificuldade em engolir o que quer que fosse. A dieta passou a ser integralmente líquida e toda administrada por palhinha. Mas eventualmente a coisa evoluiu de tal forma que eu não conseguia mesmo engolir o que quer que fosse, nem com anestésico! Nem a própria saliva. E foi aí no auge da doença, que a minha namorada me resolveu fazer uma visita. Estava eu lá em cima no quarto quando ela bate aqui à porta com um bolo para o menino doente. Um bolo?... Mas!?!?... Era eu no quarto, com uma caixa de plástico no chão para onde escorria a saliva que eu não conseguia engolir e era a família toda lá em baixo, à mesa, a comer o bolo para o menino doente! :)

Depois de um ou dois dias sem comer nem beber praticamente nada a minha mãe levou-me ao hospital onde tive mais um episódio daqueles. Enfiaram-me um tubo pelo nariz, bem até ao fundo, que eu depois fui engolindo até ele ficar bem no meio do esófago. Depois trouxeram-me uma tigela de leite morno que me administraram pelo nariz! E que sensação tão estranha... O estômago a encher com o leite, e a boca sem sentir nada!...

Mais ou menos na mesma altura constatei que um dos meus testículos era bem maior do que o outro. O trauma das assimetrias! Comuniquei a descoberta à minha mãe, com a devida preocupação, porque com as jóias da coroa não se brinca! A minha mãe encaminhou-me para o especialista do assunto lá no hospital. E esse foi mais um dos momentos altos que muito contribuíram para a minha felicidade. O senhor doutor pediu-me para me despir e me sentar na maca de pernas abertas. Enquanto ele colocava as suas luvas de latex, a notícia que o filho da senhora doutora estava ali espalhou-se pelo hospital. Assim que o senhor doutor começou a apalpar-me os testículos começaram a chegar os primeiros curiosos. Pouco depois lá estava eu, pernas escarrapachadas, o senhor doutor a apalpar-me os tomates, e uma comitiva de homens e mulheres de todas as idades a assistir ao espectáculo do filho da senhora doutora!

Depois fui operado ao nariz. A anestesia, que incluiu quantidades nada negligenciáveis de cocaína, foi à risca para a complexidade da operação, e lembro-me da sensação de me endireitarem o septo do nariz. Endireitar significa antes de mais nada entortar. Mas não vou avançar com pormenores. Quando finalmente acordei da operação, completamente grogue, a primeira coisa que fiz foi vomitar uma grande quantidade de sangue. Mas o mais engraçado foi o período de convalescença. Com dois tubos espetados no nariz e a cara inchadíssima, não poderia ter ficado mais parecido com um porco, com uma tomada logo em cima da boca. E tinha que tomar antibióticos. Todos os dias, em braços alternados, uma injecção enorme de uma bomba antibiótica qualquer.

Enfim, muitos outros episódios ao longo da minha vida contribuíram para a minha felicidade.

Hoje tenho uma unha do pé negra, o que é uma verdadeira tragédia, tenho um ombro que está há mais de seis meses a recuperar de uma luxação, tenho má oclusão dos maxilares e consequente estalido de cada vez que abro e fecho a boca, tenho dentes tortos e com abfracção, tenho os primeiros sinais de vista cansada, e quem sabe de cérebro cansado?, tenho um intestino que se irrita muito facilmente e que produz biogás a um ritmo alucinante, tenho alergias brutais no nariz, tenho o sono incrivelmente ligeiro, tenho ligeiras dores em algumas articulações, tenho uma incrível falta de flexibilidade no corpo, tenho o meu reduzido espólio espalhado por quatro casas de norte ao sul do país, tenho um automóvel velhinho e avariado... Mas sobretudo, hoje não tenho televisor! E isso certamente contribui bastante para a minha felicidade!

A verdade é que estou feliz! Aliás, bem mais do que isso, a verdade é que sinto que sou feliz. E desculpem-me se a minha felicidade, em tempos de crise, vos soar a uma afronta.

Sou feliz porque apesar de tudo tenho saúde, tenho a cabeça e os sentidos bem despertos, tenho muitos sítios onde dormir, tenho roupa para vestir, tenho comida para comer. Tenho condições para viver. Em resumo, tenho vida. E tenho tudo o que se consegue fazer com isso.

Mas sou também feliz porque para além de ter vida, tenho tido vontade, energia, perseverança, espírito de sacrifício e tudo o mais que é necessário para ultrapassar os desafios que eu próprio me coloco e também as barreiras que me surgem sem eu querer ou esperar.

E sou ainda mais feliz porque tive a sorte, e quem sabe o saber jogar, de ter um pai assim, de quem herdei a paixão, os sentimentos à flor da pele, o calor da luta; uma mãe assim, de quem herdei a delicadeza e essa grande virtude que é não nos perdermos no vazio e na solidão; porque tive a sorte de ter um pai e uma mãe de quem herdei esta cabeça que não pára; porque tive a sorte de ter amigos como vós, de quem aprendi tanto, paciência para vos aturar :) e sobretudo tolerância.

Sou feliz por ter tido a sorte de ter amigos como vós com quem pude viver, trocar e receber tempo, energia, medos, frustrações, alegrias. Amigos que me ensinaram a amar e a ser quem sou.

Obrigado por isso.

Hoje sou feliz e sinto-me feliz porque me conheço melhor, porque me faço melhor, porque conheço melhor o mundo e porque o tento fazer melhor. Sou feliz porque gosto do cheiro do incenso e sei que o incenso não é um pauzinho que arde mas sim uma planta. Sou feliz porque sei que Portugal nunca produziu tanto na sua história como hoje produz...

E isto da economia introduz o último capítulo da história da minha felicidade.

Há pouco tempo publiquei no meu blogue uma mensagem acerca dos números do produto interno bruto (PIB) português. Os números são produzidos pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), um organismo sob a tutela da administração central, tanto quanto julgo saber. E se assim é, e se os números nem sequer são favoráveis ao discurso do governo, então eu tenho bons motivos para acreditar nesses números, ou no que eles parecem revelar. E o que eles revelam é precisamente aquilo que acabei de afirmar: que nunca na história Portugal produziu tanto como produz hoje. Está bem, talvez tenha sido capaz de produzir um pouco mais em 2008 do que em 2009. Mas em geral, nós produzimos hoje mais 30% do que produzíamos em 1995. E isto é, tanto quanto nos é possível dizer, um facto!

Mas então se assim é, afinal onde é que está a crise?

Bom, a verdade é que há muita gente com muito pouco dinheiro e com dificuldades sérias em conseguir manter os consumos básicos do dia-a-dia. É verdade que o desemprego é hoje muito superior ao que era em 1995. Mas então, se também é verdade que em termos médios hoje produzimos muito mais, a consequência necessária é que tem de haver muita gente que está muito melhor na vida hoje do que estava no passado. Ou seja, as desigualdades aumentaram muito.

Mas voltando à minha pergunta: onde está a crise? Há sem dúvida muitas crises individuais. Há pessoas que, como disse, têm dificuldade em garantir condições básicas para uma vida digna: alimentação, vestuário, habitação... Mas apesar de tudo as pessoas que assim sentem a crise são uma minoria quando comparadas com todas as demais.

Para além dessas pessoas, há sem dúvida muitas outras que neste preciso momento não se sentem nada bem, por motivos económicos e não só, apesar de terem garantidas essas condições mínimas para uma vida digna.

A crise é subjectiva. O sofrimento de não poder usufruir de um iate pode ser tão grande como o de não poder comprar livros de estudo para os filhos. Quem somos nós para julgarmos o sofrimento de outra pessoa? O sentimento de crise é subjectivo. A crise é o mal-estar. A crise é subjectiva. A crise está dentro de cada um de nós.

E é este o momento em que eu tenho de dizer:

irmãos... dai as mãos... orai comigo!

Mas para lá dessas crises que as pessoas sentem à sua maneira, eu sinto que há uma crise mais profunda que nos afecta a todos. Fala-se muito de uma “crise de valores”. Pois... deve ser dos valores da bolsa! O único valor que aparentemente está em vigor, e já não é de agora, é o dinheiro. Esse valor nunca esteve melhor!

Ai as cunhas que pouca vergonha e tal... Mas se alguém tem um amigo numa situação que o pode ajudar e não utiliza essa relação para conseguir mais dinheiro é um lorpa. E ai os pobres, coitadinhos e tal... Mas se algum empresário paga mais aos seus trabalhadores quando pode pagar menos é um lorpa. Ai estes ladrões, que nunca houve tanta ladroagem e tal... Mas se alguém encontrar uma carteira e não a esvaziar primeiro antes de a devolver é um lorpa.

Vistas as coisas ao contrário, a justificação de que alguma acção ou omissão permite obter um rendimento superior parece válida em todas as circunstâncias. Esse é o único valor que eu vejo que anda aí em força. E se assim é, como é que se pode falar em crise de valores? Não há crise de valores nenhuma! Não há é valores, o que é diferente!

Às vezes até parece que as pessoas todas têm esses valores da honestidade, da humildade, da lealdade, da transparência, da justiça, da solidariedade e o que mais for bem dentro de si, bem presentes, e que são os outros que não os têm e/ou que não permitem que nós façamos as coisas da maneira correcta. São os outros. São sempre os outros. Tal como aquele inquérito à agressividade na condução, em que quase toda a gente responde que os outros são muito agressivos quando conduzem... Alguma coisa não bate certo, certo?...

Bom, para mim a crise é só uma e resume-se nisto: nós, cada um de nós, vivemos fechados cá dentro da nossa cabeça, esquecendo que dentro da cabeça que está imediatamente ao nosso lado está outra pessoa com quem podemos partilhar tanto. A vida é hoje muito mais complexa do que era porventura há uns séculos atrás. De alguma forma esta vida mais complexa fez-nos acreditar que há muitas vidas possíveis e que não se cruzam. No entanto, eu defendo que, apesar de não conhecermos as mesmas coisas e apesar de não termos de gostar das mesmas coisas, temos e podemos querer-nos bem uns aos outros.

Dizia o José Mário Branco numa das suas letras “já vivemos tão juntos e tão sós, que da vida perdemos o sentido”.

A crise é acreditarmos tão firmemente que isto não pode ser de outra forma. Que a economia não pode ser de outra forma. Que a vida dos outros não pode ser de outra forma. Que a nossa vida não pode ser de outra forma. É a ideia de que já não há nada por fazer, a não ser prosseguir com o que já existe, e o vazio que daí resulta. É a falta de sentido que isto tudo faz.

A crise é a falta de sentido.

Em contraponto, Sophia de Mello Breyner dizia:

Apesar das ruínas e da morte
Onde sempre acabou cada ilusão
A força dos meus sonhos é tão forte
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos ficam vazias

Há muito por fazer, há sim. E há sentido para as coisas. A felicidade é o nexo e o sentido.

A minha felicidade é o sentido que não me falta.

Quero-vos bem.

Desculpem qualquer coisinha.

Obrigado por estarem aí, por me darem sentido, por me fazerem feliz!


AWF, discursado em versão resumida a 4 de Julho, escrito em versão definitiva a 10 de Julho.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Calções sem cu?...


Só noutro dia é que reparei que os meus velhinhos calções fabricados na "Reino Montanhoso do Lesoto" (!) são Senqu! :)

Sauna no trabalho...


Aí está a minha engenhoca toda artilhada com leds de infra-vermelhos e transdutores de deslocamento linear num ensaio realizado nesta segunda-feira no pavilhão de hidráulica no LNEC.

O ambiente estava de tal ordem que um colega meu não esteve com meias medidas: foi buscar uma ventoinha ao gabinete e pôs-se de tronco nu! :) Foi uma verdadeira tortura... Todo aquele telhado irradiava... mesmo as tábuas de madeira que aí se vêem na foto estavam quentes como um pedaço metálico ao sol!... Ossos do ofício! Só não os tem quem não tem ofício! :)

Fisgas...


No passado sábado, dia 3, foi dia de aniversário do Daniel. A festa foi marcada para as lagoas a montante das Fisgas de Ermelo, no parque natural do Alvão. E que boa escolha!



Aí está o aniversariante em evidente tentativa de suicídio! :)

As quedas de água maiores, não visíveis nestas fotos, são impressionantes. Aliás, toda a paisagem envolvente é impressionante e merece mesmo uma visita. Fica aqui.



E esta foi ao fim da tarde, no início dos comes e bebes... Há muito tempo que estava para pegar numa lesma. Obrigado Margarida por me ajudares a ultrapassar este medo!... :) Esta vai direitinha para a minha colecção de mãos. :)

Iogurte de varanda...


Este calor todo não podia significar apenas desvantagens!... Não sei quantos graus a minha marquise atinge, e tenho medo de os medir a todos... mas que dá para uns óptimos iogurtes, não haja dúvida! :)

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Eu nos meandros da ponte 25 de Abril...


Esta foi a melhor foto que consegui de mim mesmo! (a máquina estava presa ao colete para não cair e eu não via nada de jeito e tinha mais que fazer... de qualquer forma, é claro que na ponte 25 de Abril o mais bonito que há para ver sou eu!...)

terça-feira, 29 de junho de 2010

Cabelo vem, cabelo vai...


"O vento leva os cabelos, ó caecas" :)

Lagoa sem nome...


Neste passado domingo, dia 27, conseguimos juntar mais uma lagoa à lista de lagoas espantásticas em Portugal! Desconheço sequer se tem algum nome. Certamente parece frequentada apenas por bichezas não bípedes.

É a que aparece aí no centro da imagem do gmaps (vejam aqui):

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Cinto de segurança humano...

Mais a sério...



menos a sério...

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Jacarandás de Lisboa...


Desde há poucas semanas, mas aparentemente para durar ainda mais algumas, os jacarandás da cidade de Lisboa estão neste estado... E há-os aos montes! :)
Este estava acompanhado de outros três nesta praceta perto do castelo de São Jorge.

De que cor são os meus olhos?...


Oito sectores circulares do meu olho esquerdo em diferentes luminosidades. As fotos originais, tiradas por mim próprio, são razoavelmente más!...

De qualquer modo dá para ver que os meus olhos são sobretudo castanhos, mas também têm outros tons. São claramente olhos rafeiros! :)

terça-feira, 8 de junho de 2010

Mais sobre a crise...

Ora então, dados do INE, que podem ser encontrados neste relatório e neste, ou noutros documentos:

PIB a preços constantes de 2000 (isto é, descontando a inflação):

  • 1995 - 101 884 000 000 €
  • 1996 - 105 495 000 000 €
  • 1997 - 109 673 000 000 €
  • 1998 - 114 697 000 000 €
  • 1999 - 119 055 000 000 €
  • 2000 - 123 079 000 000 €
  • 2001 - 125 178 000 000 €
  • 2002 - 125 682 000 000 €
  • 2003 - 124 670 000 000 €
  • 2004 - 126 560 000 000 €
  • 2005 - 127 711 000 000 €
  • 2006 - 129 458 000 000 €
  • 2007 - 131 882 000 000 €
  • 2008 - 131 834 000 000 €
Ora então, mais coisa menos coisa, Portugal nunca produziu tanto como agora. Nunca na nossa história fomos tão ricos como somos hoje!

Então expliquem-me lá porque é que se diz que lá para os anos 90 era o tempo das vacas gordas e agora estamos todos em crise. Vá lá, expliquem-me...

E no entanto, também é um facto que o desemprego em Portugal é o mais alto desde sei lá quando...

Tudo se explica, portanto, por uma desigual repartição do produto. Como é evidente, aliás. Agora digam-me lá: quem beneficia mais com esta ideia generalizada de crise: quem tem o emprego mal pago por um fio ou quem tem dinheiro e quer fazer ainda mais?

segunda-feira, 7 de junho de 2010

"A crise e o défice"...


Num panfleto afixado à entrada do departamento onde trabalho...

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Os computadores do LNEC...

terça-feira, 1 de junho de 2010

Crude no Golfo do México...

Retirado sem autorização do "telegraph" de hoje, dia 1 de Junho de 2010.


Oysters were broiling, softshell crabs frying, seafood gumbo simmering and spirits being obstinately kept up at the Plaquemines Parish annual seafood festival at the weekend. But then the devastating news came through. Billy Nungesser, the rotund president of the Louisiana parish at the centre of the US fishing industry in the Gulf of Mexico, was just getting up to speak when a BlackBerry message told him of the failure of the "top kill". It was BP's best chance of choking off the volcano of oil a mile beneath the surface of the sea, which opened up after the accident on the Deepwater Horizon rig that killed 11 people.

"I saw the message and my knees got weak and I forgot everything I was going to say," he recalls. "I looked at those men and women in the crowd. And I couldn't, didn't have the heart to tell them it didn't work."

The news, many local people feared (when they finally heard it) could mean that the annual celebration of the rich harvest from the Gulf, held in a bend of the Mississippi near where it pours into the sea – was the last held. For it marked the moment that what has become the worst US environmental disaster threatened to tip into a full-blown catastrophe.

When Nungesser finally found his voice, he told his audience: "Stay encouraged, keep the faith. We're going to beat this thing and we're not going to back down." But afterwards, he predicted that the spill would "destroy south Louisiana", adding: "We are dying a slow death here, and we don't have time to wait while they try solutions."

Sunday's abandonment of BP's three-day attempt to plug the well, 48 miles offshore, through "top kill" – injecting vast amounts of heavy mud and junk, including golf balls and shredded tyres, into the belching hole in the ocean floor – appears to have put an end to hopes of shutting off the flow of oil any time soon.

Senior White House figures accept that there is little chance of choking it off until two relief wells, bypassing the volcano, are completed, which is expected to be in August. And by then the spill is set to have got much, much worse.

BP will continue to grapple with what it has come to call "the beast", but it has used up all its relatively easy options. Attempts to close off valves with remote-controlled submarines, and to lower a steel and concrete container over the leak, have both failed over the past weeks. And administration officials – led by Steven Chu, the Nobel Prize-winning Energy Secretary – stopped the "top kill" attempt because of "very, very grave concerns" that it was putting too much pressure on the well, and so risking greater disaster.

Now the company is having to move on to even more difficult operations, where the likelihood of making things worse increases even as the chances of success fall. Its next ploy is to try to cut the broken pipe through which the oil is being emitted, and to lower a dome to capture most of the black sticky liquid and siphon it off. But this is likely to increase the flow by a fifth, at least in the short term, and even if it works, will not shut it off completely.

So the focus is increasingly shifting to containing the spill. Attempts to do this have, of course, been going on from the start. BP has been trying to burn and skim off the oil, and to keep it from reaching land by laying hundreds of miles of booms, but with limited success. After being kept at bay by favourable winds, the oil has begun to come ashore; about a quarter of Louisiana's 400-mile coast is polluted.

The oil is making landfall in the fragile but ecologically vital wetlands, which are used by three quarters of US waterfowl, and are critically important nurseries for fish. Ninety per cent of the Gulf's marine species depend on the wetlands at some stage of their lives, and most are located in Louisiana. Largely because of that, the state produces more fish and seafood than anywhere else in the country, outside Alaska.

Worse, this is the breeding season. The waters of the wetlands should be a factory of life, churning with fish and alive with birds feeding on them. But they are unnaturally quiet. Some scientists fear that the marshes could die altogether if they become seriously polluted. They are already under severe pressure; about 24 square miles disappear every year.

The oil could smother and kill the grasses that hold the whole system together, leaving just mud to be rapidly washed away. And the hurricane season, predicted to be one of the worst for years, officially opens today, leading to concern that the storms could turn the spill into crashing black surf and drive it far into the wetlands.

But it may well be that the worst effects are occurring far out to sea. As Dr Reese Halter, of California Lutheran University, puts it, this one is "behaving unlike any other oil spill ever observed before". Scientists say that, instead of rising to the surface as normal, much of the oil is spreading in giant underwater plumes; one is thought to be 22 miles long.

This may be because dispersants were sprayed on to the oil near where it was emitted, reducing its buoyancy. The chemicals are highly toxic and break the oil up into small droplets, which can be eaten by sea life.

"Every fish and invertebrate contacting the oil is probably dying," says Prof Prosanta Chakrabarty of Louisiana State University. He recently discovered two new species of fish off the coast, but fears that they will become extinct before his findings are published in a scientific journal in August.

President Obama this weekend announced that the onshore clean-up effort would be tripled, but as well as doing nothing to combat the peril of the plumes, his initiative has come too late to prevent perceptions of his handling of the crisis plummeting. In a sense, that is unfair. It is BP, not the administration, that is supposed to have the expertise and equipment to tackle the leak. And by US law, the government is not supposed to take charge of clean-up operations when a private company has promised to meet the bill, as BP has done.

Politically, however, the President has been inept, projecting his cool, "no drama Obama" style, when a "bullhorn moment" – like George Bush's at Ground Zero just after September 11 – might have served him better. He relied too much on BP's early assurances that it had the situation under control, and on its gross understatement of the scale of the spill; some 19,000 barrels of oil a day are thought to be gushing out, compared to the 1,000 originally announced.

It is also embarrassing that Obama opened up vast areas of US waters to oil drilling just weeks before this accident. But though it may give him an opportunity to push more strongly for a promised expansion of renewable energy, there is little sign of the spill doing much to wean the US off its addiction to the black stuff. Thirty per cent of the fuel used to transport Americans comes from the Gulf and, even now, about half of them approve of offshore drilling.

There will undoubtably be tougher controls on the oil industry: one revelation of the crisis has been how poorly it was regulated.

Indeed, Obama announced last week that 33 deepwater drilling operations in the Gulf – 22 of them off Louisiana – would be suspended immediately, and that no new ones considered for at least six months.

That, however, will do even more damage to the battered state, by shutting down the oil industry as well as its fisheries. For the people of the Gulf coast, that will be no better than plunging from the Plaquemines festival's frying pans into its fires.

Uxu Kalhus... Ou como misturar danças tradicionais com... vejam vocês mesmos!



Em Évora, no dia 30 de Maio. Até os ossos da capelinha mesmo ao lado abanaram todos!...


Dizem que eu por dentro sou assim...

Raio X (ui, radiações, que perigo!...) ao meu ombro direito. Muito útil... É, fiquei a saber que tenho lá costelas e clavículas e úmeros e omoplatas e coisas que tais... Como o acrómio, o danado do acrómio!... Mas não fiquei a saber muito mais.


Por isso toca a fazer uma ressonância magnética. Este exame é ainda mais atterrador! Primeiro metem-me num campo magnético fortíssimo (é preciso fazer muita força para manter os ossos unidos) para alinhar os spins dos núcleos atómicos, depois dão-me um impulso forte de radiação electromagnética numa frequência adequada à alteração de spin nos átomos de hidrogénio. Depois à medida que os spins voltam a ficar alinhados, emitem eles próprios essa radiação! Que HORROR!!!... Quer dizer que eu próprio emito radiação??... NÃÃÃOOOO!!!...


Acho que até ficava bem passado na brasa...

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Manifestação - Lisboa - 29 Maio


No passado sábado fui ver um filme e acabei por ver outro.

Ia experimentar a cinemateca de Lisboa, pela primeira vez. Tinha seleccionado um filme que me pareceu interessante e lá fui eu. Grande correria, a ver se chegava a horas e cheguei! Só que ao sítio errado! Afinal a cinemateca está em mais do que um sítio e eu fui ao errado... Ora bolas... Pronto... fica para a próxima.

Volto à rua onde já havia muitas pessoas com cartazes e megafones e tal... Uma manifestação, penso eu... Ora deixa ver. E lá fiquei, feito mirone.

Calhou bem que naquele dia, por obra do senhor, tinha vestida a t-shirt verde que diz "recibo verde, since 1993"! :)

E lá fiquei mais de duas horas a assistir a um mar de gente a descer em direcção à rotunda do marquês (eu eventualmente trepei à estátua no centro da rotunda para ver melhor e lá fiquei) e depois pela avenida da liberdade abaixo.

Dizem os sindicalistas que seriam 300.000 pessoas. Pelas minhas contas seriam entre 50 e 100 mil. Fosse como fosse era muita gente... muita mesmo.

Duas opiniões rápidas sobre o assunto.

As coisas estão de facto mal para muitas pessoas. Eu sei disso, porque contacto com a sua realidade. Aliás, contacto com a minha própria realidade... Os sujeitos do bloco de esquerda tinham cartazes com a cara de alguns maiorais de grandes empresas portuguesas, dizendo "o cinto deles nunca aperta" e com a indicação de sei lá quantos milhões de euros que eles recebem ou receberam ou os lucros das empresas ou seja lá o que for...

E a realidade é esta e é evidente para quem a quiser ver: as disparidades económicas têm aumentado muito. De facto, o bolo, o produto, ou chame-se o que se quiser, é maior do que em, por exemplo, 1997, mas agora as pessoas sentem-se muito mais afectadas pela "crise" do que nessa altura. Para onde terá ido o dinheiro?... A resposta é evidente e é evidente também que é preciso protestar contra esta concentração cada vez mais acentuada do carcanhol.

No entanto, não me parece que o problema possa ser ultrapassado com lutas de trabalhadores contra patrões. Na sua essência, trabalhadores e patrões são muito similares nas aspirações e nos modos de vida. São ambos parte de um sistema que sinto estar profundamente errado. Alterar o sistema é que é necessário. E isso implica mudar o que vai na cabeça das pessoas, as suas aspirações e os seus modos de vida. Enquanto o trabalhador lutar para estar na situação do patrão, não me parece que a coisa irá mudar muito.

A segunda opinião é a seguinte: que bando de gente com ideias tão malucas na tola!... E tanta gente com as ideias dos outros na tola, o que é verdadeiramente preocupante... Gritar palavras de ordem e tal... Enfim, grande dose de carneirada. Enfim, enfim...

Fica este cartaz, foto retirada sem autorização daqui, onde se pode ler um artigo que vai de encontro a esta minha segunda opinião.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Celina...

Três videos. Este primeiro com Naragonia e o seu tema "Calimero" ao qual a Celina acrescentou a popular canção da "Pêra Verde". No clube ferroviário, Março de 2010.



Este segundo porque é bonito. Et voilá, tem uma foto minha!... As minhas fotos já andam no youtube e eu não sabia!... :)



E este terceiro, para mim um regresso à origem, com 7 Luas Orquestra, no festival Sete Sóis Sete Luas em Castro Verde, Setembro de 2009. O som não é bom...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Parabéns Júlia!... Parabéns Filipa!...


Tlês aninhos, completados no dia 12.
Tlinta e tlês mais um, a completar no dia 30.

L burro i l gueiteiro 2010

De 1 a 5 de Agosto de 2010, em terras de Miranda... A não perder!

Dar o corpo ao manifesto...

Agir ou não agir...

De Fernando Pessoa:

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlaçemos as mãos).

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para o pé do Fado,
Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente.
E sem desassossegos grandes.

------------------

De José Rebola, grupo Anaquim, álbum "As vidas dos outros", música "Lídia":

Lídia enlacemos as mãos e fiquemos então somente a ver passar o rio
Lídia joguemos xadrez, façamos isso em vez de dar à guerra o nosso brio
Lídia sejamos alheios aos desgostos feios de quem já não quer quem tem
Mas Lídia eu sinto-me vazio ao ver passar o rio sem te ter nem fazer por ser

Alguém
Que vendo o mal nunca está bem
Que vendo o mal nunca está bem
...

terça-feira, 25 de maio de 2010

Já nado!...


Hoje de manhã, pela primeira vez desde o fatídico dia 27 de Dezembro, em que os deuses resolveram tirar o meu úmero do sítio, nadei como deve ser. Umas quantas piscinas, multi-estilos (desajeitados, pois claro), mas qualquer coisa já parecido com natação! Muito bom! Quero estar preparado para as loucuras do verão no mar! :)

(esta foto foi tirada numa tentativa de suicídio colectivo no mar da lagoa de Santo André no verão passado)

Plantas silvestres com sabor...



Oficina em Vilar de Mouros no passado sábado, dia 22. Dia lindo, calor, quase verão. Saímos do centro recreativo da vila para um passeio ao longo da margem esquerda do Coura. Caminho lindíssimo. E tanta informação!... Tanta variedade de plantas, tanta coisa para comer e esfregar e decorar e... :)

Quem estava na frente do projecto era o Carlos Venade, que a meio resolveu começar a achincalhar o capitalismo. Ora dá-lhe com força, camarada Carlos! :)



No final, de volta ao centro recreativo, tivemos uma apresentação sobre as espécies que vimos e ainda outras e, num saltinho, falámos também da origem das plantas, da vida, dos átomos, do universo, do nosso lugar dele... e ainda misturado com poesia de Fernando Pessoa e outros. Muito bom! Mesmo. Ter à nossa frente alguém que interliga os conhecimentos e lhes põe nexo, essa coisa tão importante, e cria uma mundivisão que faz questão de partilhar com os outros porque se preocupa... Que falta faz gente assim! E isto mesmo que se tenha outras mundivisões...

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Coisas do dia a dia...

Como dizia alguém, os homens podem ser divididos em dois grupos: aqueles que lavam as mãos depois de urinar e aqueles que têm de lavar as mãos antes de urinar. Eu claramente encaixo-me orgulhosamente neste último grupo de gente imunda! :)

E já agora, apenas ligeiramente relacionado com isto, fiquem lá com este vídeo a que sempre achei alguma graça:

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Fim do dia...

Visto da minha varanda fica assim:
com Júpiter à espreita...


e a Lua atrás dele!
:)

terça-feira, 18 de maio de 2010

Freecycle



A Inês equipou a casa toda à borla!...

Já ouviram falar nos três erres: reduzir, reutilizar, reciclar? Os que se preocupam com o ambiente tendem a concentrar os esforços na reciclagem. Mas mais importante do que isso é reutilizar os produtos antes de os deitar fora. O "freecycle" permite precisamente isso. Poupa o nosso dinheiro e poupa o ambiente.

www.freecycle.org

O papa no Porto...

Vejam só o sentimento cristão que por aqui vai...


O meu trabalho...


O objectivo aqui, além de me divertir imenso, é construir uma estrutura com determinadas dimensões que possa transladar em dois eixos (horizontal e vertical) com algum rigor. Não tem sido fácil... Esta estrutura será então utilizada num ensaio de um sistema de monitorização de deslocamentos da ponte 25 de Abril.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

A mudança continua...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Acampar em Lisboa


Ontem, dia 8, foi o primeiro dia em que acordei na minha nova casa. A minha nova casa... Mais me valia compreender de uma vez que a minha casa anda sempre comigo, e não se confunde com as paredes, os chãos e os tectos que me abrigam aqui ou acolá.

Azinhaga da Torrinha, número 9, porta 4, Lisboa.

Parece que estou no meio de uma aldeia estranha... É difícil de descrever isto aqui. Estou na capital, mas à minha frente, fora da janela, tenho uma figueira a ganhar folhas e lá ao longe, no vale, bandos de pombas a exercitar as asas. Mais ao fundo um cenário de campos desertos alterna com amontoados de prédios altos. Muito estranho...

Esta é a vista da varanda da frente, virada a sul. Um belo sítio para pequenos almoços. Parece-me que no verão será um belo sítio para fazer sauna.

E esta é a sala que dá para essa varanda.

A casa é um T2 ou, como se diz por aqui, tem três assoalhadas: dois quartos e uma sala. O problema é que não tem livro de instruções e eu ainda não descobri qual das três assoalhadas é a sala!... Assim não tenho maneira de saber onde pôr os móveis!... Não tem jeito nenhum!

Campismo, para já. Mudanças já bastam. Basta, portanto e para já, o essencial. Meti a tralha toda para um cesto e mesmo ainda assim sobrava fundo... Mudar muitas vezes de casa dá-nos outra perspectiva das coisas.

Que seja poiso de coisas boas! Estaindes todos convidados para isso!
:)


E foi assim que a vida deu uma volta
A carta e os conselhos de um braseiro
O campo por onde eu andava à solta
Agora está no fundo de um estaleiro
...

quarta-feira, 31 de março de 2010

Faça sol ou faça book...


Parece que a minha vida se vai desintegrar! Alguma coisa muito má deve estar a caminho... ou já deve ter chegado, para eu ter tomado a decisão de eliminar a minha conta no facebook. A gerência desse sistema (não sei como lhe chamar) tratou logo de me informar que coisas terríveis vão acontecer: a Celina vai sentir a minha falta!... o Bruno vai sentir a minha falta!... o Henrique vai sentir a minha falta!... Os meus amigos todos vão chorar amargamente a minha saída deste sistema (não sei como lhe chamar). Os senhores bem que me avisaram... para o meu bem!...

E mesmo depois de perceberem que eu estava mesmo possuído e não ia voltar atrás com a minha decisão, ainda assim foram benevolentes comigo, garantindo-me que bastaria introduzir a minha senha e a minha palavra-passe antigos para poder voltar a fazer tudo como dantes.



Se eu não voltar a dar notícias nos próximos dias podem alertar as polícias e os bombeiros... Entretanto, os meus amigos todos que me perdoem tamanho desvario.

terça-feira, 23 de março de 2010

Revolução das meias

Hoje é o segundo dia consecutivo que ando propositadamente com uma meia de cada cor. O meu objectivo é a libertação progressiva da opressão das simetrias, dos acessórios a "fazer pendant", das cores que ligam e não ligam e das aparências.
Eu tenho um sonho! No meu sonho as pessoas usam peúgas nas orelhas e cuecas nos sapatos... Irmão, liberta-te da opressão!

Aproveitamento de água

Deixem-me lá fazer um pouco de publicidade. Achei esta ideia genialmente simples e eficaz. Além de poupar água quase que nos pede para lavarmos as mãos depois de utilizarmos a sanita, o que é bom para os esquecidos...

quarta-feira, 17 de março de 2010

Manifesto automóveis pró...


...pró lixo, só pode!

Neste preciso momento estou à procura de uma (ou mais) bicicleta para utilizar no percurso casa->trabalho->casa. Na realidade, com a vida actual, penso por vezes se o percurso não é antes trabalho->casa->trabalho, tal como Marx dizia que com o capitalismo passámos de mercadoria->dinheiro->mercadoria para dinheiro->mercadoria->dinheiro, mas isso são outras cogitações...

Neste processo de pesquisa deparei-me com uma página na Internet que possui informação sobre a utilização das bicicletas no quotidiano. Achei interessantíssimo. Como é comum com tudo o que nós achamos interessantíssimo, cabecitas enviesadas estas nossas, concordo com uma data de coisas que lá são ditas. Mais do que concordo, já as senti na pele.

Andar de bicicleta no dia-a-dia pode ser algo maravilhoso. E porque é bom e porque sinto que muitas pessoas não se apercebem do quão bom pode ser, sinto também necessidade de partilhar com todos.

Algumas vantagens de utilizar a bicicleta nos transportes do dia-a-dia:
  • Poupa-se dinheiro. Comparativamente com o transporte automóvel poupa-se o dinheiro do combustível, do seguro, do imposto de circulação, das manutenções e inspecções, do próprio carro;
  • Poupa-se tempo. Em cidades congestionadas, como infelizmente são as nossas, é comum demorar menos tempo de bicicleta do que de automóvel ou de transporte público. Além disso também se poupa o tempo do estacionamento, do percurso entre o estacionamento e o destino, do enchimento do depósito de combustível, das manutenções, etc.;
  • Evita-se o confronto com a agressividade dos outros (nossa também, pois claro) no tráfego;
  • Fica-se em forma sem ter de gastar mais tempo em coisas um pouco idiotas como ginásios (que só existem precisamente porque os nossos estilos de vida não são saudáveis). Além disso também se aumenta a coordenação motora e a agilidade do organismo;
  • Não é perigoso. Ao contrário do que as pessoas podem pensar acerca da segurança de andar de bicicleta, os automóveis são de facto muito mais perigosos que as bicicletas. Para o condutor e sobretudo para todos os outros que andam nas estradas e nos passeios;
  • É silencioso;
  • É limpo. Não implica o aumento da factura energética do país e não implica a queima directa ou indirecta de combustíveis fósseis;
  • Anda-se ao ar livre e não no ar fechado do automóvel (se não é fechado é porque está a aspirar os gases de combustão do carro da frente!) ou do transporte público. Além disso pode-se apreciar verdadeiramente o que nos rodeia ao longo do trajecto: pode-se sorrir para as pessoas que passam, pode-se reparar nas flores e nas janelas e nas casas das pessoas, etc.;
  • Dá-nos duas sensações de bem-estar. O bem estar das endorfinas depois do exercício e o bem estar mais psicológico de saber que estamos a fazer uma coisa bem.


O artigo é de um norte-americano chamado Paul Dorn. Diz ele:
"I commute by bike, and, for the sake of my sanity, avoid driving like the plague. The automobile is a fine thing for certain purposes, like killing wildlife, alienating people from each other, polluting and congesting urban areas, and directing huge sums of money to Exxon/Mobil and General Motors. Me, I prefer the best achievement of the Industrial Revolution, the humble velocipede."

Outras citações do e no artigo:
  • "In a society like ours--where more money is spent advertising automobiles than is spent on the entire national mass transit system, where everyone's background assumption equates travel with driving--it isn't easy to make the shift to bicycle commuting"
  • "The automobile has not merely taken over the street, it has dissolved the living tissue of the city. Its appetite for space is absolutely insatiable; moving and parked, it devours urban land, leaving the buildings as mere islands of habitable space in a sea of dangerous and ugly traffic." (James Marston Fitch, New York Times, May 1, 1960)
  • "Driving a car versus riding a bike is on par with watching television rather than living your own life." (Bruce MacAlister, Calgary cyclist)
  • "...the bicycle is generally considered a toy, a recreational device, or as exercise equipment. Something you load on top of your car, like skis or a surfboard, and travel to some remote area to "play." That's why bike shops are filled with mountain bikes. They thrive on selling the "sport" of cycling. Travel they leave to other vehicle retailers, i.e. auto dealerships. This is a big mistake."
  • "This is the basis of car culture, the idea that the world and all of the world's people are merely in its way." (Travis Hugh Culley)
  • "Those who wish to control their own lives and move beyond existence as mere clients and consumers--those people ride a bike." (Wolfgang Sachs, For Love of the Automobile, UC Press, 1992)
  • "Bicycling is safe. Sedentary couch potato lifestyles kill far, far more Americans than pedaling"

terça-feira, 16 de março de 2010

Os espelhos...

onde podemos rever um pouco do que somos são tramados. Eu gostei muito deste. Para ver e ouvir com atenção: